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Setor de gás enxerga potencial para estocagem e primeiro projeto toma forma para 2027


Instalações da Origem Energia no Polo de Pilar (AL), onde a empresa desenvolve o primeiro projeto brasileiro de estocagem subterrânea de gás natural. (Foto: Instagram)

A Origem Energia busca obter até o fim de 2026 o licenciamento ambiental necessário para viabilizar seu projeto de estocagem no Polo de Pilar, em Alagoas. Será o primeiro empreendimento desse tipo no Brasil, com um piloto que utiliza quatro reservatórios depletados, considerados obsoletos para produção.

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O aval da ANP foi concedido em dezembro de 2025, dentro de uma regulamentação experimental, já que não há iniciativas similares em operação no país. Com a aprovação, a empresa adaptou reservatórios adquiridos da Petrobras em 2021, em uma área que ainda abriga outras estruturas produtivas.

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A companhia investiu cerca de R$ 100 milhões na adaptação inicial da infraestrutura e projeta aplicar mais US$ 200 milhões até atingir uma fase mais madura do projeto. O piloto deve alcançar capacidade plena até o fim de 2028 e iniciar expansão entre 2029 e 2032. A escala poderá crescer conforme a demanda, pois existem cerca de 500 zonas depletadas na região com potencial. Boa parte da infraestrutura já estava no local em razão de reinjeções anteriores, o que permitiu reaproveitar poços, compressores e linhas.

À frente da iniciativa está o diretor de estocagem Anderson Bastos, profissional com mais de 30 anos de experiência, contratado em novembro de 2024 para liderar o projeto. Para ele, a estocagem é uma resposta natural ao momento do mercado de gás natural no Brasil, oferecendo “lastro” a novos agentes. A decisão de abrir a plataforma a terceiros partiu do CEO Felipe Luiz Coutinho, que enxergou a necessidade de flexibilidade.

Esse “lastro” funciona como garantia física de fornecimento, permitindo armazenar o gás excedente quando a oferta supera a demanda e injetá-lo no sistema em picos de consumo. Segundo Bastos, essa flexibilidade dá aos comercializadores margem para assumir posições sem depender do perfeito alinhamento entre produção e consumo. “Não tem como ter mercado competitivo sem estocagem”, afirma.

A abertura do setor, impulsionada pela Nova Lei do Gás de 2021, diminuiu o papel central da Petrobras, exigindo novas fontes de ajuste entre oferta e demanda. Em momentos de pico, termelétricas acionadas pela variação do sistema elétrico recorrem ao gás, e atualmente os terminais de GNL são a principal alternativa. A Origem pretende, com o projeto subterrâneo, oferecer mais uma opção de flexibilidade.

A estocagem subterrânea não é novidade global: teve início nos Estados Unidos no início do século 20 e se consolidou em mercados com grande oscilação sazonal, como Europa e norte do Hemisfério Norte, onde o gás é armazenado no verão para uso no inverno. Existem três tipos principais de estruturas: reservatórios depletados, aquíferos e cavernas de sal, cada um com características distintas de capacidade e velocidade de operação.

O modelo modular adotado pela Origem permite iniciar com poucos reservatórios e ampliar conforme a resposta do mercado, reduzindo capital imobilizado e riscos. Além das adaptações de engenharia, o investimento inclui o cushion gas, volume que permanece no subsolo para manter a pressão. No piloto, a empresa negociará capacidade de armazenamento de forma bilateral, seguindo normas da ANP, e prevê evoluir para leilões públicos de “open season” à medida que o mercado amadurecer.

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