
Suelen Raizer afirma que fabricar no Paraguai pode reduzir custos em até 60% (Foto: Instagram)
Suelen Raizer, fundadora da Frontexa e diretora estratégica internacional da consultoria, afirmou em entrevista que produzir no Paraguai reduz o custo final dos produtos em média de 15% a 27%. Dependendo do setor, da indústria e do regime tributário aplicado, essa economia pode chegar a até 60%. Segundo Raizer, empresas enquadradas na lei Maquila têm potencial significativo de ganho devido às regras específicas desse modelo de operação.
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O Paraguai adota um regime tributário menos complexo que o brasileiro e concede benefícios expressivos a indústrias voltadas para exportação. As chamadas maquiladoras pagam apenas 1% de imposto sobre o valor agregado e têm isenção de Imposto de Renda, inclusive sobre dividendos, compra de máquinas e importação de matérias-primas. Esse arranjo foi criado para estimular o país vizinho a atrair investimento estrangeiro.
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De acordo com Raizer, as maquiladoras arcam com aproximadamente 12% de encargos tributários e trabalhistas, enquanto no Brasil essa carga pode atingir 80%. Essa diferença substancial explica a decisão de muitas organizações de transferir parte da produção para o país vizinho, em busca de maior competitividade.
Além das maquiladoras, o Paraguai oferece outros regimes de incentivo, como zonas francas e leis que favorecem o turismo, o mercado financeiro e o setor industrial. Para empresas fora do modelo Maquila, existe ainda o sistema conhecido como triplo 10: 10% de Imposto de Renda empresarial, 10% de IR pessoal e 10% de IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
Raizer também destacou que a escassez de mão de obra qualificada no Brasil motiva empresários a produzir no Paraguai, onde encontram trabalhadores dispostos e custos salariais mais baixos. Esse fator, somado aos benefícios fiscais, reforça o ambiente de negócios no país vizinho.
Outro atrativo é a menor dependência da China. Para obter o Certificado de Origem do Mercosul, as empresas devem garantir um mínimo de 40% de conteúdo regional, o chamado “elemento paraguaio”. Com isso, componentes importados de fora do bloco, como os chineses, ficam limitados a 60% do valor final, garantindo exportação a países do Mercosul com alíquota zero.
Desde 2007, mais de 230 empresas migraram do Brasil para atuar sob o regime de maquila no Paraguai, representando cerca de 70% das mais de 320 companhias estrangeiras que optaram pelo país vizinho. Esse movimento vem se intensificando desde 2013, impulsionado pelo apelo fiscal e logístico oferecido pelo Paraguai.








