
Pesquisador manuseia amostra em laboratório durante teste do método RRTB para tuberculose (Foto: Instagram)
Uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa, pela UFJF e pela Fhemig simplifica o cultivo de amostras para diagnóstico da tuberculose, dispensando equipamentos como centrífuga refrigerada e cabine de segurança biológica. Batizado de RRTB, o método recebeu carta-patente do INPI e tem potencial para descentralizar e reduzir os custos do exame em humanos, rebanhos e alimentos. A técnica ainda depende de registro na Anvisa antes de ser adotada em escala comercial.
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A inovação surgiu na tese de doutorado do pesquisador Ronaldo Rodrigues da Costa, na Faculdade de Medicina da UFJF, sob orientação de Isabel Cristina Gonçalves Leite e do pesquisador Márcio Roberto Silva, da Embrapa Gado de Leite. Com o índice TRL 8 alcançado em rotina laboratorial, o Critt da UFJF busca empresas interessadas em licenciar a tecnologia e viabilizar sua produção e distribuição.
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Apesar de existirem testes moleculares rápidos, a cultura bacteriana permanece como padrão-ouro para monitorar o tratamento, confirmar a cura e identificar resistências. O método tradicional de Petroff exige infraestrutura cara, o que restringe o exame a grandes centros. Um procedimento alternativo, o de Ogawa-Kudoh, já simplificava a descontaminação usando um swab, mas só funciona com escarro e requer meio de cultura ácido, inviabilizando fluidos estéreis.
O RRTB supera essas limitações ao combinar o swab com o cultivo no meio Löwenstein-Jensen, opção de menor custo e amplamente empregada no Brasil. O diferencial foi a criação de uma solução neutralizadora à base de ácido cítrico, citrato de amônio e citrato de sódio, aplicada entre a descontaminação e a semeadura. Com isso, elimina-se a necessidade de centrifugação e de estruturas complexas, permitindo que pequenos laboratórios e unidades de saúde rurais processem diversos fluidos corporais.
Para Ronaldo da Costa, o grande avanço é ajustar o pH do meio para favorecer o crescimento da Mycobacterium tuberculosis, unificando protocolos até então distintos no Hospital Universitário da UFJF. Segundo Isabel Leite, a tecnologia oferece maior acessibilidade e custo reduzido, ideal para países em desenvolvimento. Já Márcio Silva destaca que o método pode ser adotado por laboratórios menores, inclusive em áreas remotas.
Em um estudo-piloto com 77 amostras, o RRTB atingiu sensibilidade de 90,91% e especificidade de 94,34% frente ao método Petroff, e de 94,74% e 92,45% comparado ao Ogawa-Kudoh, além de reduzir a taxa de contaminação para 1,30%. Na etapa seguinte, sete laboratórios de referência em Minas Gerais validaram o método em 593 pares de amostras, ampliando sua aplicação para TB extrapulmonar, zoonótica e em alimentos.
A pesquisa foi liderada pela UFJF, com subcoordenação da Embrapa, avaliação da Funed, participação da Fhemig e apoio da Fapemig. Essa fase elevou a maturidade tecnológica do RRTB ao nível 8 da escala TRL/MRL, indicando sistema validado e pronto para integrar rotinas laboratoriais. Empresas interessadas podem contatar o Critt/UFJF para transferência de tecnologia por e-mail.
A tuberculose bovina, causada por Mycobacterium bovis, provoca perdas econômicas e pode infectar humanos por meio do consumo de produtos de origem animal, sobretudo leite cru. No desenvolvimento do RRTB, o uso do meio Löwenstein-Jensen com piruvato mostrou desempenho equivalente ao convencional, ampliando a detecção em amostras de animais e alimentos. Esse avanço reforça a perspectiva de Saúde Única, que integra a saúde humana, animal e ambiental.
