
Gilmar Mendes na sessão do STF que arquivou investigação criminal contra Paulo Gonet. (Foto: Instagram)
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes saudou a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, tomada na sexta-feira (25.set.2026), de arquivar o pedido de investigação criminal contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Master. Na mesma sessão, o colegiado rejeitou por unanimidade a proposta de afastá-lo do acompanhamento das apurações.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Gilmar e Gonet foram sócios fundadores do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) em 1998, ao lado do também ex-procurador-geral da República Inocêncio Coelho. Em agosto de 2017, Paulo Gonet transferiu sua cota para Francisco Schertel Mendes, filho de Gilmar, que hoje dirige a instituição junto ao pai.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Em postagem no X (ex-Twitter), Gilmar afirmou que o resultado no MPF comprovou “o que já se sabia” e que não havia qualquer impedimento para que Gonet seguisse atuando nos processos relacionados ao Banco Master, tampouco elemento capaz de abalar a reputação adquirida em décadas de serviço público.
Sem citar nomes, o ministro criticou o vazamento seletivo de conversas e apontou falhas na condução do inquérito pelo ministro relator André Mendonça. Gilmar classificou como “desproporcional” o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, decisão que, segundo ele, desarticulou temporariamente a liderança da corporação.
Para Mendes, a rápida reversão do afastamento evitiu “danos maiores” gerados por “decisões individuais de enorme alcance, tomadas de afogadilho na fase de investigação”. Ele reforçou a importância de estender a figura do juiz de garantias ao STF e manifestou solidariedade tanto a Paulo Gonet quanto a Andrei Rodrigues.
Investigadores da PF identificaram mensagens trocadas por Daniel Vorcaro que mencionavam o procurador-geral. Conforme apuração, o ex-advogado de Vorcaro, Ciro Soares, se apresentava como interlocutor de Gonet, repassando instruções ao cliente. Em 15 de março de 2025, Soares enviou ao ex-banqueiro uma foto com o PGR junto da mensagem: “Liga aqui. Ele quer falar com você.” No mesmo ano, a PF extraiu do celular de Vorcaro um registro fotográfico do encontro entre os dois em Londres, em abril de 2024, acompanhado do texto “PG me mandou”. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade do material.
Durante a sessão do STF em 15 de setembro, o próprio Paulo Gonet declarou que não manteve relacionamento de proximidade com Vorcaro e que os elementos analisados não apontam qualquer irregularidade. O procurador-geral ressaltou que teve apenas um encontro com o ex-banqueiro, em abril de 2024, integrando um grupo de autoridades.
