Consultoria revela que busca pelo Paraguai cresceu com discussões sobre reforma tributária

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Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, destaca alta procura de empresas brasileiras pelo Paraguai (Foto: Instagram)

A Frontexa, consultoria especializada em instalação de empresas no Paraguai, registrou uma alta na demanda de companhias brasileiras em busca de operação no país vizinho. Segundo Suelen Raizer, fundadora da empresa, mais de 100 indústrias e distribuidoras procuraram a Frontexa em 2026 interessadas em reduzir custos e elevar a competitividade.
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Raizer explica que as conversas sobre a reforma tributária e o cenário de juros elevados no Brasil despertam o interesse de investidores em alternativas externas. “Quando saem notícias sobre aumento da taxa de juros ou mudanças econômicas, recebemos um pico de consultas em nosso time de vendas”, afirmou em entrevista.
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Além da carga tributária mais baixa, o Paraguai oferece previsibilidade regulatória. Com o fim de PIS e Cofins em 2027, substituídos pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), e a redução do IPI a zero em grande parte dos produtos, as empresas brasileiras já estudam como ajustar seus sistemas de nota fiscal, contratos e estratégias de preço antes da entrada em vigor do novo modelo.

Desde 2007, mais de 230 companhias saíram do Brasil para o Paraguai pelo regime de maquila, que reúne 70% das mais de 320 empresas estrangeiras instaladas naquele país. Por meio dessa legislação, voltada para exportação, as empresas pagam, em média, 12% de tributos e encargos trabalhistas contra 80% no Brasil, além de apenas 1% de imposto sobre valor agregado e isenção de Imposto de Renda.

Para migrar a produção, as empresas passam por uma análise de viabilidade que inclui projeção de custos industriais, disponibilidade de mão de obra, investimento e prazo de retorno. A documentação pode levar entre três e seis meses, e o período total até o início da produção varia de sete a dezoito meses. O projeto deve ser aprovado pelo Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, comprovando geração de valor local e contratação de mão de obra paraguaia.

A operação ainda exige um mínimo de 40% de valor agregado regional para obter o Certificado de Origem do Mercosul, permitindo exportações sem imposto de importação. Raizer ressalta que nem todos os setores se beneficiam, principalmente aqueles que dependem de mão de obra altamente especializada. Ela reforça, porém, que o Paraguai não é concorrência direta: funções estratégicas permanecem no Brasil e a produção pode ser deslocada para garantir competitividade.