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Anvisa abre investigação sobre perda de visão ligada a canetas emagrecedoras


Anvisa investiga relatos de perda de visão em usuários de canetas para emagrecimento (Foto: Instagram)

A Anvisa iniciou apuração de 13 relatos de perda de visão atribuídos a canetas utilizadas como suporte para emagrecimento. As notificações foram registradas por pacientes que associaram o aparecimento de sintomas visuais ao uso desses dispositivos, que aplicam medicamentos com função de controle de apetite. A investigação busca entender melhor a relação temporal entre a administração direta de substâncias e o comprometimento progressivo da acuidade visual, além de avaliar eventuais fatores de risco envolvidos.

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Os relatores eram usuários de agonistas do receptor de GLP-1, substâncias indicadas primariamente para o tratamento de diabetes tipo 2 e também aprovadas no combate à obesidade. Eles apresentaram casos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAAION), condição rara que bloqueia vasos sanguíneos que nutrem o nervo óptico, podendo gerar manchas no campo visual e até sequelas permanentes. A descoberta despertou preocupação entre especialistas por sua gravidade e potencial irreversibilidade dos danos.

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Conforme reportado pelo portal g1, as notificações envolveram medicamentos comercializados como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. Os dois primeiros têm semaglutida como princípio ativo, enquanto o Mounjaro utiliza tirzepatida, um agonista duplo de GLP-1 e GIP. Todos são administrados por meio de canetas injetoras semanais, o que tem tornado esses fármacos cada vez mais populares entre pacientes interessados em perda de peso rápida e no controle glicêmico.

Todas as ocorrências ainda são tratadas como suspeitas pela Anvisa, que esclarece que a simples presença do fármaco e do problema visual na mesma notificação não estabelece relação de causa e efeito. A agência segue protocolos de farmacovigilância para coleta de dados adicionais, análise de antecedentes clínicos dos pacientes e eventual confronto com registros internacionais. Somente depois de avaliar todas as evidências será possível definir se há necessidade de alerta específico ou restrição de uso.

A fabricante Novo Nordisk, responsável pelo Ozempic, Wegovy e Rybelsus, informou que revisão de seus ensaios clínicos com semaglutida não evidenciou aumento de casos de NAAION em comparação a grupos de controle. A companhia reforçou ainda que, até o momento, o balanço entre benefícios e riscos permanece favorável, tanto para o controle da glicemia em diabéticos quanto para o tratamento da obesidade. A empresa disse que continuará avaliando continuamente seus dados de segurança.

A Eli Lilly, que produz o Mounjaro, declarou manter rotina constante de monitoramento das informações de segurança de seus medicamentos, incluindo avaliações oftalmológicas. A farmacêutica afirmou que orienta profissionais de saúde a reportarem qualquer alteração visual observada em pacientes e promete apoiar investigações adicionais sobre possíveis efeitos colaterais. Enquanto isso, recomenda-se aos usuários atenção redobrada a qualquer sintoma oftalmológico repentino e consulta imediata ao oftalmologista.

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