
Deputada Erika Hilton no direito de resposta exibido no ‘Ratinho’ (Foto: Instagram)
Em 25 de setembro de 2026, o SBT transmitiu o vídeo com o direito de resposta da deputada Erika Hilton (PSol-SP) no programa Ratinho. A determinação da Justiça de São Paulo exigia que a manifestação fosse exibida até 2 de outubro, em razão de declarações consideradas transfóbicas feitas pelo apresentador contra a parlamentar.
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Em cerca de dois minutos de discurso, Erika Hilton afirmou que Ratinho desrespeitou sua atuação parlamentar ao negar sua condição de mulher e alertou que discursos de ódio alimentam a violência contra pessoas trans e mulheres. “Ratinho disse que eu não poderia exercer meu trabalho por ser quem eu sou e negou, diante do país inteiro, que eu sou uma mulher. A liberdade de expressão não é absoluta”, declarou a deputada.
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Em outro trecho, a parlamentar enfatizou que manifestações que deslegitimam a identidade de pessoas trans podem resultar em discriminação e agressões. Hilton também citou a legislação brasileira que prevê punição para atos de transfobia e apontou que o preconceito institucionalizado é um fator chave na violência contra esse grupo.
A controvérsia teve início em março, quando Ratinho comentou a escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Na ocasião, o apresentador questionou a condição de gênero da parlamentar e afirmou que ela não seria mulher, motivando a deputada a buscar na Justiça o direito de resposta.
Durante a fala, Ratinho chegou a dizer que “ela não é mulher, é trans” e argumentou que, para ser mulher, seria necessário “ter útero” e “menstruar”. Ele também questionou se Hilton teria capacidade de compreender “os problemas e desafios de quem nasceu mulher”, o que motivou o processo legal pela deputada.
A primeira instância judicial determinou a exibição da resposta, mas o SBT recorreu da decisão. Em agosto, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a obrigação de veicular o vídeo no mesmo programa, estipulando multa de R$ 50 mil por dia em caso de descumprimento. Em setembro, a corte reforçou a medida e definiu 2 de outubro como prazo final.
O término desse prazo ocorreu dois dias antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral para 4 de outubro. A proximidade com o pleito eleitoral tornou ainda mais relevante o cumprimento da decisão judicial, evitando penalidades e debates adicionais em pleno período eleitoral.
Em setembro, Erika Hilton apresentou nova representação contra Ratinho após o apresentador repetir falas sobre sua identidade de gênero em participação no podcast Papagaio Falante. Os advogados da deputada pediram investigação por possíveis crimes de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero, ampliando o litígio judicial.
