Receita identifica R$ 11,6 bilhões em esquema com fundos e contas-bolsão

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Ministro da Fazenda Dario Durigan em coletiva sobre a Operação Crédito Oculto (Foto: Instagram)

A Receita Federal descobriu R$ 11,6 bilhões em movimentações atípicas envolvendo fundos de investimento, contas-bolsão e administradoras na Operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto, deflagrada em 24 de setembro de 2026.
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Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a gestora e fundos de investimento foram usados para camuflar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis por uma usina de etanol controlada por organizações criminosas. A estrutura recebia recursos de múltiplas origens, incluindo dinheiro ligado ao crime organizado, ao comércio clandestino de combustíveis e às próprias usinas.

Os valores eram empregados para financiar operações ilícitas, ocultar bens, remetê-los ao exterior e corromper autoridades. Em razão das provas apresentadas, a Justiça determinou o encerramento das atividades da distribuidora investigada.

A cadeia financeira envolvia Fundos de Investimento em Participações (FIPs), fundos multimercado, contas-bolsão, contas gráficas, além de gestoras, administradoras e bancos. Representantes do setor formal de combustíveis relataram que o mercado legalizado estava “sob ataque” do crime organizado.

A Receita Federal, em parceria com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, conduziu a operação. As duas fases anteriores da Carbono Oculto incidiram sobre uma usina de etanol e o uso de administradoras de fundos em 2025 e sobre fintechs, resultando em novas exigências de repasse de informações operacionais.

Durigan ressaltou a adoção de sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial para detectar anomalias em estruturas de fundos. Ele criticou instituições e fintechs que não comunicam operações suspeitas e defendeu o fortalecimento do e-Financeira, que obriga o compartilhamento de dados financeiros com a Receita.

Após acordo com o ministro do STF Flávio Dino, o Ministério da Fazenda e a Comissão de Valores Mobiliários coordenam uma revisão das normas do mercado de fundos, incluindo proposta sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) em análise no Conselho Monetário Nacional.

Responsáveis pela Entre não se manifestaram até a data de publicação; o texto será atualizado caso haja resposta.