PT solicita a Flávio Dino investigação por suposta interferência externa nas eleições

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Ministro do STF Flávio Dino em sessão no Supremo Tribunal Federal (Foto: Instagram)

O PT protocolou na quarta-feira (23.set.2026) junto ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, pedido para abertura de inquérito que apure suposta interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, com foco em eventuais apoios ou financiamentos externos à candidatura de Flávio Bolsonaro.

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No documento, o partido requer que a investigação abranja situações em que operações de origem estrangeira possam atingir as eleições por meio de plataformas digitais, instituições financeiras, publicidade, recursos, bens ou serviços.

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O PT agrega ao pedido episódios que julga preocupantes, entre eles a possibilidade de financiamento, apoio ou influência externa na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A legenda menciona a Rockbridge Network, organização norte-americana que financia campanhas políticas, e cita publicidade paga no exterior em perfis favoráveis a Bolsonaro na rede X.

Um dos pontos centrais é a reportagem do site Amado Mundo que trata de eventual aporte da Rockbridge Network à campanha de Flávio. Segundo a petição, essa entidade foi cofundada pelo vice-presidente dos EUA JD Vance, do Partido Republicano, com o objetivo de promover pautas conservadoras.

A manifestação também ressalta a veiculação de documentários e cursos produzidos pelo site Brasil Paralelo e pelo Estúdio Quinto Elemento na plataforma Academia da Direita, vinculada ao PL, sob a suspeita de influência ideológica financiada de fora.

O pedido foi apresentado no âmbito da ADPF 1.178, inicialmente proposta pelo Instituto Brasileiro de Mineração para discutir a atuação de municípios brasileiros em demandas judiciais no exterior. O PT sustenta que decisão de Dino de 18 de agosto de 2025 já reconheceu a “ineficácia interna de atos unilaterais estrangeiros não incorporados” à ordem jurídica nacional.

Na petição, o partido solicita a complementação dessa tese para explicitar que os comandos de soberania se aplicam ao processo eleitoral e a agentes que possam executar atos estrangeiros, inclusive em ambientes digitais e financeiros, considerando a proibição de aporte estrangeiro a partidos e candidatos.

Além de requerer o recebimento de fatos novos como notícia de descumprimento, o PT pede a instauração de inquérito pela Polícia Federal e as medidas de preservação e instrução necessárias ao cumprimento da decisão do STF.

O caso marca a segunda vez que o governo Lula contorna a Justiça Eleitoral e recorre diretamente ao Supremo para tratar de temas relacionados às eleições, após ter encaminhado a Gilmar Mendes, na semana anterior, petição sobre o reajuste do Bolsa Família.