Na última quarta-feira (23), veio à tona a informação de que militares dos EUA estariam aprendendo português do Brasil, e isso foi o suficiente para muitos questionamentos serem levantados. Afinal, por que integrantes das Forças Armadas norte-americanas estão sendo preparados para se comunicar em português brasileiro? A resposta veio do próprio Air Force Culture and Language Center (AFCLC), Centro de Cultura e Idiomas da Força Aérea dos Estados Unidos. Segundo o órgão, militares norte-americanos estão sendo treinados no idioma para, futuramente, poderem atuar em parceria com integrantes das Forças Armadas brasileiras em exercícios e conferências de cooperação.
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O treinamento faz parte do Language Enabled Airman Program (LEAP), iniciativa que prepara integrantes da Força Aérea e da Força Espacial dos EUA em idiomas estrangeiros, conhecimentos regionais e competências culturais. O objetivo, segundo o AFCLC, é desenvolver vocabulário técnico e habilidades de interpretação em português brasileiro para situações de cooperação internacional. A informação ganhou força após a abertura de uma vaga para instrutor de português brasileiro pela empresa norte-americana Ascensus Global. O programa terá duração de três semanas, entre outubro e novembro de 2026, com uma etapa virtual e outras duas semanas presenciais em Montgomery, no Alabama.
A vaga prevê atividades de ensino, tradução e interpretação voltadas a militares e funcionários do governo norte-americano. Apesar da repercussão, o AFCLC não informou que o treinamento esteja ligado a uma operação específica, a um exercício militar determinado ou a alguma missão planejada com o Brasil. O próprio programa LEAP já possui histórico de utilização do português em atividades relacionadas à cooperação internacional e à aproximação com forças estrangeiras.
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A notícia surge ainda em um momento delicado nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Na terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” ao defender a soberania brasileira e criticar o que classificou como interferências externas em processos eleitorais. Até o momento, porém, não há informação pública que estabeleça uma ligação direta entre o treinamento de português dos militares norte-americanos e as declarações recentes de Lula ou qualquer operação militar específica no Brasil.

