
Fachada do Banco Central do Brasil em Brasília (Foto: Instagram)
O Banco Central informou que cerca de 40% da alta recente da inadimplência no SFN (Sistema Financeiro Nacional) resulta da implementação da Resolução 4.966 do CMN (Conselho Monetário Nacional). Segundo a autarquia, trata-se de um efeito contábil: não houve salto imediato de atrasos, mas a regra alterou a forma de provisionamento dos bancos, impactando o índice sem que mais clientes deixassem de pagar.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Essa resolução estabeleceu critérios mais rígidos para classificação de risco e reconhecimento de perdas em operações de crédito. Agora, instituições financeiras devem reclassificar ativos antes tratados como renegociados e aumentar provisões para contratos readequados, elevando a inadimplência contabilizada mesmo sem novo comportamento de calote por parte dos tomadores.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
O indicador de contratos com atraso acima de 90 dias subiu a 4,9% em julho, patamar mais alto desde o início da série histórica do BC. O dado consta do Relatório de Política Monetária (RPM) de setembro, divulgado na quinta-feira, 24.set.2026, que detalha as razões por trás desse avanço contábil.
No documento, o Banco Central atribui parte do movimento ao patamar contracionista da taxa Selic, mantido por longo período, que elevou o custo médio dos empréstimos. Com juros altos e critérios de concessão mais apertados, o crédito consignado e o financiamento de veículos perderam dinamismo, e famílias recorreram mais ao rotativo do cartão e ao cheque especial. No crédito rural, o BC cita custos elevados, quebra pontual de safras e margens estreitas no agronegócio.
O relatório traz ainda indicadores da situação financeira dos brasileiros: comprometimento de renda chegou a 28,9% em junho, o maior nível desde 2005; o endividamento das famílias totalizou 49,9% da RNDBF (Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias); e a inadimplência atingiu 7,8% no crédito livre e 8,8% no crédito rural direcionado, esta última marca recorde. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia comentado a deterioração do crédito e do endividamento familiar em agosto de 2026, em evento do Banco Santander e na abertura da FEBRABAN Tech 2026.
No segundo trimestre de 2026, o consumo das famílias recuou 0,4% em relação ao trimestre anterior, que havia registrado alta de 1,1%. O BC relaciona a desaceleração ao fim de medidas temporárias de aumento da renda disponível, como antecipação de precatórios, reajuste do salário mínimo e ampliação da faixa de isenção do IRPF. Com esses estímulos esgotados, o rendimento médio real habitual caiu 0,6%, embora a taxa de desocupação tenha se mantido em 5,4%, o menor nível da série histórica.
Para o saldo total de crédito no SFN, o BC elevou a projeção de crescimento para 9,1% em 2026 (ante 9,0% estimado anteriormente) e mantém previsão de alta de 8,8% em 2027. Por segmento, espera-se expansão de 9,8% e 9,2% em pessoa física, 8,0% e 8,2% em pessoa jurídica, 8,8% e 8,5% em crédito livre, e 9,5% e 9,2% em crédito direcionado, nos respectivos anos.








