
Carla Zambelli em evento público antes do pedido de salvo-conduto (Foto: Instagram)
A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) apresentou ao Supremo Tribunal Federal, na segunda-feira (21.set.2026), um pedido de salvo-conduto para permitir seu ingresso no Brasil e retorno à Itália durante o primeiro turno das eleições. A medida visa assegurar que Zambelli possa votar em sua mãe, Rita Luzia Zambelli Salgado, candidata a deputada federal por São Paulo, sem risco de prisão.
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O recurso foi protocolado pelo advogado Eduardo Mauricio, que destaca o “risco concreto de prisão” caso a ex-parlamentar pise em território nacional em razão das condenações de que responde. De acordo com a peça, o documento completo em PDF tem cerca de 14 MB e detalha todas as argumentações da defesa.
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Segundo o próprio Mauricio, o pedido de liminar visa exclusivamente garantir que Zambelli possa entrar no país, cumprir seus compromissos eleitorais, votar e, em seguida, retornar à Itália sem ser detida. O advogado atua em conjunto com o atacadista italiano Pieremilio Sammarco, especialista em Direito Internacional.
Além disso, a defesa requer a suspensão provisória da execução das sentenças até a apreciação da PET 16.662/DF, procedimento que investiga mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de apurar suposta conduta ilegal atribuída ao magistrado. A petição ressalta que ainda não há conclusão sobre eventual responsabilidade de Moraes e que a investigação está em curso.
O pedido ainda menciona decisões supervenientes, como uma determinação da Suprema Corte da Itália no processo de extradição de Zambelli, bem como outros trâmites em andamento no STF relacionados ao chamado caso Master, que trazem novos elementos ao debate.
Em 2025, a 1ª Turma do Supremo condenou por unanimidade Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, em decorrência de ataques ao sistema do Conselho Nacional de Justiça em 2022 e 2023. Na ocasião, foram adulterados documentos e emitido um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes, objetivando desmoralizar o Poder Judiciário.
Zambelli recebeu pena de 10 anos de reclusão em regime fechado, multa equivalente a 2.000 salários mínimos e perda do mandato. Delgatti foi sentenciado a 8 anos e 3 meses no mesmo regime, com multa de 480 salários mínimos. Ambos também foram condenados a indenizar em R$ 2 milhões por danos materiais e morais coletivos.
Em outro processo, a ex-deputada foi sentenciada a 5 anos e 3 meses de prisão por ter perseguido e apontado uma arma de fogo contra o jornalista Luan Araújo na cidade de São Paulo. Após essas condenações, Zambelli deixou o país e estabeleceu residência na Itália, onde possui cidadania, respondendo aos desdobramentos de suas penas enquanto as autoridades brasileiras buscam meios para a execução das decisões judiciais.
