
Orla de Abu Dhabi reflete alívio nos mercados com possível retomada de diálogo EUA-Irã (Foto: Instagram)
As taxas de juros no mercado futuro inverteram a alta observada até o início da tarde e fecharam em queda nesta terça-feira (22), seguindo a tendência das últimas sessões. O movimento foi estimulado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que apontaram para uma retomada das conversações com o Irã. Esse cenário reduziu a percepção de risco geopolítico e aliviou temores inflacionários causados pelo recuo nos preços do petróleo.
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Com o ambiente externo mais ameno, os investidores retomaram a postura compradora que tem marcado setembro, influenciados pelo “trade eleitoral” e por indicadores econômicos recentes, considerados mais fracos. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) foi vista como neutra, mas reforçou que novos cortes na Selic não estão descartados, alimentando expectativas de que a redução de 0,25 ponto em setembro pode não ter sido a última.
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No fechamento do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 13,547% para mínima intradia de 13,525%. O DI com vencimento em janeiro de 2029 recuou de 13,712% para 13,68%, enquanto o índice para janeiro de 2031 caiu de 13,912% para 13,87%.
Luis Ferreira, CIO para as Américas do banco suíço EFG, destacou que, por volta das 18h02, os Treasuries operavam sem direção única, com baixa apenas no vencimento de dois anos. Ele ressaltou que os sinais de que o conflito com o Irã deve permanecer contido, além das expectativas sobre o encontro entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, trouxeram um viés mais positivo para os ativos globais. Segundo Ferreira, se a tensão não for aliviada, o Federal Reserve poderia elevar os juros sem frear a alta do petróleo, o que manteria a inflação pressionada.
Em relatório, o estrategista global da Macquarie, Thierry Wizman, alertou que esta semana será decisiva para a trajetória dos preços do petróleo no médio prazo, já que os principais envolvidos no confronto EUA-Irã participarão de reuniões em Nova York. Os entendimentos que surgirem nesses encontros poderão definir se o choque geopolítico se acentua ou se há um caminho de desescalada.
Antes das falas mais conciliadoras de Trump, o mercado de juros vinha exibindo viés de alta em quase todos os prazos. Para Ricardo Espindola, superintendente de renda fixa e crédito da Porto Asset, houve um movimento de realização no começo do pregão, que ofuscou o impacto benigno da ata do Copom. No entanto, a partir da tarde, o alívio externo permitiu aos investidores retomar a postura compradora, compatível com a percepção de espaço para cortes adicionais na Selic diante de eleições mais disputadas.
No cenário-base da Porto Asset, o Copom ainda fará mais dois cortes de 25 pontos-base na Selic até o fim do ano, levando a taxa terminal a 13,25%. Após a divulgação da ata, 19 das 33 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast ajustaram suas projeções para incluir essas duas novas reduções de 0,25 ponto em 2026.








