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EUA redistribuem cota do Brasil para exportação de açúcar sob tarifa reduzida


Líder americano atento durante discussão sobre cotas de açúcar dos EUA (Foto: Instagram)

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) oficializou em 23 de setembro de 2026 a divisão dos 55.993 MTRV (toneladas métricas em valor bruto) de cota de açúcar que havia sido retirada do Brasil para exportação com tarifa reduzida. Esse volume foi redistribuído entre 28 países, com destaque para a República Dominicana, que recebeu 11.931 MTRV adicionais, e as Filipinas, contempladas com 9.151 MTRV extras. A remanejamento faz parte da operação fiscal para o ano de 2027 e reflete mudanças na política comercial americana.

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Em julho, o USTR já havia informado que o Brasil seria o único beneficiado com cota reduzida de açúcar para o exercício fiscal que começa em 1.º de outubro de 2026, autorizando a exportação de 100.000 MTRV – ante 155.993 MTRV no ano fiscal anterior. Com a formalização da decisão nesta quarta-feira, o montante originalmente destinado ao mercado brasileiro foi realocado na totalidade. Além dos maiores ganhos da República Dominicana e das Filipinas, outros países também foram contemplados com parcelas do montante.

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Em agosto, um informe da Adidância Agrícola do Brasil em Washington apontou que a administração do presidente Donald Trump aplicou a redução da cota para pressionar o governo brasileiro a conceder vantagens comerciais. Especialistas interpretaram a medida como mais um episódio de tensão entre Brasília e Washington. Na época, representantes do governo brasileiro foram alertados sobre possíveis sanções adicionais, e tanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) quanto o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) passaram a monitorar de perto o desenrolar dos acontecimentos.

O setor sucroalcooleiro figura entre os mais afetados pelo “tarifaço” de 25% anunciado em 15 de junho pelo USTR, que incluiu ainda alíquotas adicionais de 12,5% sobre o açúcar brasileiro. A medida baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, originada de uma investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses americanos. O impacto se faz sentir tanto nas negociações bilaterais quanto na dinâmica interna de preços do mercado externo.

Além da cota de açúcar, o documento norte-americano de 2026 lista como alvo da investigação temas variados: o sistema de pagamentos Pix, regras de comércio digital, regimes de tarifas preferenciais, ações de combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal na Amazônia. Ao abranger esse leque de pautas, os EUA buscam pressionar Brasília a ajustar políticas que, na visão americana, oferecem barreiras ou riscos ao comércio bilateral.

A tensão diplomática escalou em 15 de setembro, quando o presidente Trump acusou o governo Luiz Inácio Lula da Silva de não enfrentar o PCC e o Comando Vermelho, transformando o Brasil em um “centro de distribuição global de cocaína”. No dia 22 de setembro, em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula defendeu que o combate ao crime organizado exige cooperação internacional para conter o fluxo de armas e recursos financeiros usados por redes criminosas. Segundo ele, “este é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.” O petista enfatizou ainda que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e reivindicou respeito à soberania dos países latino-americanos.

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