
Receita Federal revisa para baixo projeção de arrecadação de IR sobre lucros e dividendos em 2026 (Foto: Instagram)
A Receita Federal projeta uma revisão para baixo na arrecadação de Imposto de Renda sobre lucros e dividendos em 2026. Inicialmente, a previsão era de R$ 28 bilhões, mas o órgão sinaliza um corte significativo. Segundo as primeiras informações, o novo número será apresentado no relatório bimestral de receitas e despesas da instituição.
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De acordo com Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros, a equipe econômica trabalha hoje com a expectativa de arrecadar cerca de R$ 10,5 bilhões no ano. Esse montante representa menos da metade dos R$ 28 bilhões previstos em janeiro e também fica abaixo dos R$ 17,2 bilhões estimados em julho.
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De janeiro a agosto de 2026, o Fisco registrou R$ 4 bilhões em receita proveniente da tributação de lucros e dividendos. Desse total, R$ 2,6 bilhões foram retidos na fonte sobre rendimentos de residentes no Brasil, enquanto outros R$ 1,4 bilhão vieram de rendimentos auferidos no exterior. Em agosto, especificamente, a arrecadação alcançou R$ 884,7 milhões, divididos entre R$ 572,2 milhões dos contribuintes domésticos e R$ 312,5 milhões de fontes estrangeiras.
No acumulado de janeiro a agosto, a arrecadação de Imposto de Renda sobre rendimentos de capital somou R$ 118,1 bilhões, registrando alta de 18,4% em comparação ao mesmo intervalo de 2025. Segundo Marcelo Gomide, coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal, o desempenho foi impulsionado sobretudo pelos títulos de renda fixa e pelo aumento da alíquota do IR incidente sobre juros sobre capital próprio (JCP).
A tributação de dividendos foi estruturada como forma de compensar a perda de arrecadação gerada pela reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física. A legislação elevou a faixa de isenção para quem recebe até R$ 5.000 mensais e concedeu desconto parcial para rendimentos de até R$ 7.350. Segundo o governo, o alívio tributário terá impacto negativo de R$ 28,04 bilhões nas receitas, com compensações planejadas em outras frentes.
A forma de recolhimento do IR sobre lucros e dividendos não ocorre de modo uniforme ao longo do ano, diferentemente da retenção na fonte sobre salários, que é mensal. Esse mecanismo depende do calendário de distribuição das empresas, o que pode gerar oscilações significativas na receita e aumentar a dificuldade de estimar o total arrecadado ao longo do exercício.
