
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de “genocídio” a ação do governo de Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza durante seu discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22.set.2026). Lula afirmou que “gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma” causados pelo que definiu como “genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”. O petista destacou ainda o momento “mais crítico” enfrentado pelas Nações Unidas desde seu primeiro pronunciamento na tribuna, em 2003.
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Em seguida, o presidente também condenou os ataques do Hamas contra civis em Israel. “Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, disse Lula, ressaltando a necessidade de repúdio a qualquer violência que tenha como alvo populações desarmadas.
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O presidente também apontou a postura adotada contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) e seus membros. Para Lula, a tentativa de desqualificar o tribunal estimula a impunidade para crimes de guerra. Ele defendeu publicamente a atuação da relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese, afirmando que ela “não pode ser silenciada por dizer a verdade”.
Lula criticou ainda a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia, afirmando que eles tornam “cada vez menos viável” a solução de dois Estados. Segundo o presidente, a criação de dois países independentes é fundamental para garantir segurança a israelenses e palestinos e evitar a continuidade do conflito.
Ao tratar da situação no estreito de Ormuz, o chefe do Executivo brasileiro classificou a região como uma “trincheira da guerra”, quando deveria ser uma via estratégica para o comércio internacional. A menção ocorreu no mesmo contexto de críticas à incapacidade da ONU de cumprir sua missão de “livrar a humanidade do flagelo da guerra” e de restaurar sua credibilidade, que “nunca esteve tão baixa”, segundo Lula.
Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula fez referências à relação entre Brasil e EUA ao falar sobre América Latina e Caribe. Ele afirmou que a proximidade com “a maior potência militar do mundo” é inevitável, mas que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. Sobre o combate ao crime organizado, rejeitou a presença de forças militares estrangeiras em águas brasileiras e reivindicou “cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastecem o crime”.
