Lula fala pela 10ª vez na ONU; veja o que mudou em seus discursos

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Lula durante discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. (Foto: Instagram)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre nesta terça-feira (22.set.2026) o debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Será a 10ª vez que ele exerce essa função, após ter iniciado os debates em 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025.

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Ao longo de 23 anos, três temas estiveram presentes em todos os pronunciamentos de Lula na tribuna da ONU: a paz, a fome e a reforma do Conselho de Segurança. No primeiro e segundo mandatos, seus discursos enfatizavam comércio, Metas do Milênio e a crise financeira internacional. Depois do retorno em 2023, passaram a figurar a ascensão da extrema direita e as urgências climáticas. Nos três pronunciamentos mais recentes, o foco mudou para democracia, soberania e regulação das plataformas digitais.

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Por tradição, o Brasil é o primeiro a discorrer na Assembleia Geral, abrindo caminho para os Estados Unidos, que este ano será representado por Donald Trump (Partido Republicano). Essa prática começou em 1955, após o então embaixador Oswaldo Aranha ter presidido a reunião inaugural em 1947, estabelecendo o costume de o país de língua portuguesa preceder o anfitrião.

A reforma do Conselho de Segurança é pauta constante nas falas de Lula. Os cinco membros permanentes – EUA, Rússia, China, Reino Unido e França – detêm poder de veto, e qualquer revisão na Carta das Nações Unidas exige o aval desses países, o que torna o processo particularmente complexo.

Vários aspectos dos discursos foram ajustados com o tempo. Em 2003, Lula exaltou o papel “insubstituível” da ONU na promoção da paz e da justiça; em 2024, lamentou que estivesse “esvaziada e paralisada”; e em 2025 afirmou que sua autoridade estava “em xeque”. De 2003 a 2008, prevaleceram temas como subsídios agrícolas, Rodada de Doha, biocombustíveis e the crise financeira global. Desde 2023, o debate inclui extrema direita, regulação das big techs, inteligência artificial e defesa da soberania. Quanto à questão de Gaza, em 2004 o discurso destacou a dificuldade de autodeterminação para o povo palestino; em 2024 criticou “punição coletiva”; em 2025 qualificou ações como “genocídio”. Também houve mudança no alvo das críticas: do protecionismo econômico passaram-se a questionar sanções e medidas unilaterais, e em 2025 citou sanções que afetam instituições e a economia do Brasil, numa referência indireta a Donald Trump.

Nesta edição, Lula deve enfatizar multilateralismo, soberania, conflitos internacionais e a reforma do Conselho de Segurança. A versão atual do texto não faz menção direta ao presidente norte-americano nem ao Escudo das Américas — iniciativa vista pelo Planalto como reedição do Plano Colômbia —, mas reforça a defesa da democracia, o repúdio a interferências externas e a cooperação global contra o crime organizado.

Se for considerada a reunião de alto nível de 2005, quando o discurso de abertura coube ao então chanceler Celso Amorim, o total de participações de Lula alcança 11. Em 2010, Amorim voltou a falar em seu lugar, deixando o presidente em Brasília para a campanha de Dilma Rousseff.

Ao longo das apresentações, Lula recorreu a pensadores, artistas e líderes para embasar seus argumentos. Em 2004, evocou o filósofo Frantz Fanon, o presidente Franklin Roosevelt e o profeta Isaías; em 2007, mencionou os murais de Cândido Portinari; em 2008, citou o economista Celso Furtado; e em 2025 lembrou Pepe Mujica e o papa Francisco.