
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista em Nova York na 81ª Assembleia Geral da ONU. (Foto: Instagram)
Em conversa concedida à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, na segunda-feira, 21 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que o Brasil “não quer desafiar os Estados Unidos”. Para ele, cada nação deve preservar sua soberania e zelar por seus próprios interesses sem que Washington imponha regras externas. “Não queremos desafiar ou confrontar”, declarou, ao reforçar que a relação bilateral deve respeitar limites claros.
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O presidente destacou que as tensões atuais tiveram início quando os EUA aplicaram tarifas sobre produtos brasileiros, afetando setores como o agronegócio e a indústria de commodities. Desde então, Brasília tem buscado meios de diálogo para reverter as medidas sem recorrer a medidas mais duras, mas, segundo Lula, “é preciso haver disposição do outro lado”. Ele salientou que a troca de insumos e tecnologias pode ser ampliada caso prevaleça a vontade conjunta.
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Durante o encontro, Lula revelou que, além dos Estados Unidos, o governo brasileiro busca parcerias estratégicas com países como China, França e Alemanha. O objetivo é diversificar caminhos para investimentos e acordos comerciais, diminuindo a dependência de um único parceiro. “Temos interesse em sentar à mesa e negociar com todos os grandes mercados”, afirmou, reforçando que a política externa do Brasil prioriza o multilateralismo.
Como alternativa para pressionar por um acordo mais equilibrado, o presidente anunciou que poderá acionar a Lei da Reciprocidade. Esse instrumento permite a suspensão de concessões comerciais, investimentos e proteção de propriedade intelectual quando medidas unilaterais de outro país prejudicam a competitividade brasileira. A norma, em vigor desde 2017, é vista como ferramenta de defesa dos interesses nacionais em disputas comerciais.
Ainda na entrevista, Lula criticou duramente o presidente Donald Trump, apontando que ele “tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não de ditar regras para outras nações”. O petista comentou que não faz ameaças sem fundamento: “Não blefo. Gosto de respeitar e ser respeitado. Essa deve ser a base do relacionamento com Washington.”
A conversa foi realizada em Nova York, onde o presidente participa da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. No evento, Lula defende reforço de cooperações globais em temas como mudança climática, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável, reforçando o papel do Brasil no cenário internacional.
