
Luiz Inácio Lula da Silva em gravação do 11º programa eleitoral “Brasil contra as bets”. (Foto: Instagram)
A propaganda eleitoral do PT veiculada na segunda-feira (21.set.2026) relacionou o avanço das apostas on-line à falta de fiscalização durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e criticou o setor como um todo. No 11º programa dedicado à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o mote “Brasil contra as bets”, o presidente voltou a alertar sobre os riscos dos jogos de azar digitais ao público brasileiro.
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Durante o programa, o presidente afirmou que “ninguém pode gastar o leite da família jogando” e anunciou a intenção de endurecer as normas para conter o vício. Ele associou o crescimento das apostas ao aumento do endividamento doméstico e ressaltou a necessidade de “jogar muito duro” para que sobre mais dinheiro no orçamento familiar.
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A peça publicitária afirma que, embora Michel Temer tenha legalizado as bets, foi no governo Bolsonaro que elas se transformaram “em um monstro”. Segundo o PT, nos quatro anos sem regulamentação, o endividamento das famílias aumentou consideravelmente. A propaganda questiona ainda se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está ao lado dos brasileiros e traz depoimentos de pessoas que se declararam “vítimas das bets”. Em 13 de setembro, Lula recebeu no Palácio da Alvorada oito pessoas afetadas pelo vício. “Hoje conheci um rapaz que fez 1.400 Pix em 3 meses, e o Banco Central não descobriu que é Pix demais para a mesma empresa? Estamos passivos diante da sociedade que está se matando de dívida?”, refletiu o presidente após o encontro.
O presidente também anunciou que o Sistema Único de Saúde criará programas especiais para tratar a dependência em jogos de azar, observando que muitos endividados têm vergonha de admitir sua condição. O rapper e compositor Emicida participa do programa eleitoral em áudio, contestando a hipótese de que a proibição das bets prejudicaria o futebol. Ele esteve em 1º de setembro no Palácio do Planalto em reunião sobre o tema.
No campo prático, o governo já adotou restrições ao setor. Em abril, foi apresentado projeto de lei na Câmara dos Deputados para proibir as plataformas de apostas em todo o país. Três meses depois, passou a exigir que toda publicidade do segmento incluísse alertas sobre riscos financeiros e dependência. Segundo reportagens anteriores, essa estratégia foi articulada com outras iniciativas de impacto social, como o programa Novo Desenrola e o fim da taxa sobre as “blusinhas”.
Pesquisas da Secom (Secretaria de Comunicação Social) apontam que a maioria da população apoia regras mais duras para as bets, com maior adesão entre mulheres e segmentos religiosos, especialmente evangélicos. Em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas, de acordo com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda e com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. No mesmo período, as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões via Pix. O problema do endividamento extrapola os jogos: em agosto, 82% das famílias declararam ter algum tipo de dívida, segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
Além disso, o governo estuda um novo programa para renegociar débitos antigos dos brasileiros, complementando o Novo Desenrola. Em entrevista ao Extra em 17 de setembro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou que a proposta será encaminhada a Lula em breve. O objetivo é limpar o nome de quem possui dívidas antigas e restabelecer o acesso ao crédito, com previsão de lançamento ainda durante a campanha.








