
Presidente Lula durante discurso na 78ª Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026, em Nova York. (Foto: Instagram)
Na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. A declaração, feita na sede da organização em Nova York, foi recebida com aplausos pelos representantes de diversos países. Ao criticar intervenções externas, o mandatário ressaltou a importância de se preservar a autonomia nacional diante de influências estrangeiras.
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Em seu pronunciamento, Lula abordou a América Latina e o Caribe, observando que a proximidade geográfica com os Estados Unidos, “a maior potência militar do mundo”, torna inevitáveis certos contatos, mas pode levar a “tentativas hegemônicas”. Ele defendeu que as diferenças ideológicas não devem impedir uma cooperação maior entre os vizinhos, visando uma agenda de desenvolvimento conjunto.
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Lula alertou ainda que a democracia na região voltou a estar “em xeque”, citando ingerências externas em processos eleitorais e a divisão do mundo em zonas de influência. O presidente afirmou que o povo venezuelano tem o direito de escolher seu próprio destino e criticou a situação na Nicarágua, onde o bloqueio à oposição não resolve as questões internas. Ele classificou como “gestos anacrônicos” as investidas neocoloniais por recursos estratégicos, mencionando também a crise no Haiti e o embargo a Cuba.
No início do discurso, o presidente afirmou que este é o momento mais crítico das Nações Unidas desde sua primeira fala em 2003. Lula declarou sentir indignação diante do desempenho do Conselho de Segurança, cuja credibilidade, segundo ele, “nunca esteve tão baixa”. Ele enfatizou que a guerra representa a falência da política e criticou as ações de Israel na Faixa de Gaza, acusando o governo de Benjamin Netanyahu de cometer “genocídio” contra mulheres e crianças. Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, defendeu que não haverá vencedores e que a diplomacia é a única saída.
Na parte final do discurso, Lula voltou seu foco para a segurança interna e o combate ao crime organizado. O presidente afirmou que o Brasil não terceirizará a proteção das fronteiras e rejeitou a presença de porta-aviões em águas brasileiras. Ele propôs cooperação internacional para controlar o fluxo de armas e combater a lavagem de dinheiro de quadrilhas no exterior, iniciativa que teria sido apresentada pessoalmente ao governo dos Estados Unidos. Além disso, destacou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, com autoridades de nove países.
Esta foi a décima vez que Lula abriu o Debate Geral da Assembleia Geral da ONU como chefe de Estado. A delegação brasileira contou com a primeira-dama Janja Lula da Silva, o embaixador Sérgio Danese, os ministros Mauro Vieira e Wellington Dias, entre outros auxiliares. Na breve estada em Nova York, além do discurso, ele participou de encontros com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, o senador norte-americano Bernie Sanders e o secretário-geral António Guterres. A agenda também incluiu discussões sobre Palestina, desigualdade, paz e direitos humanitários.








