
Zuenir Ventura durante o 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em 2018 (Foto: Instagram)
O jornalista e escritor Zuenir Ventura faleceu na terça-feira, 22 de setembro de 2026, aos 95 anos, em sua residência no Rio de Janeiro, vítima de pneumonia. A informação foi divulgada pela Academia Brasileira de Letras (ABL).
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Reconhecido como um dos principais nomes do jornalismo brasileiro, Zuenir construiu uma carreira de mais de seis décadas em veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo e nas revistas Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Visão, Veja e IstoÉ.
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Também escritor e professor, lançou obras marcantes como “1968 – O Ano que Não Terminou” (1988), que reconstrói o período pós-Ato Institucional nº 5 e inspirou a minissérie “Anos Rebeldes” da TV Globo em 1992, e “Cidade Partida” (1994), premiado com o Jabuti por reportar a violência urbana e a desigualdade no Rio de Janeiro.
Zuenir nasceu em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba (MG), e formou-se em letras neolatinas. Iniciou-se no jornalismo como arquivista e publicou seu primeiro texto — um obituário de Albert Camus — na Tribuna da Imprensa. Foi professor da UFRJ e da antiga Esdi, hoje vinculada à UERJ, e era chamado de “Mestre Zu” e também de “Vampiro da juventude”.
Em 30 de outubro de 2014, foi eleito o 7º ocupante da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Ariano Suassuna, e tomou posse em 6 de março de 2015. O presidente da ABL, Merval Pereira, lembrou o jornalismo plural de Zuenir, que atuou como repórter, editor, professor e ambientalista, e recordou seu humor refinado, citando o episódio do banho de tinta marrom dado a um desafeto.
Deixa esposa e dois filhos. Segundo a ABL, o corpo será velado em 23 de setembro na sede da Academia, no Rio, com sepultamento no mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista. Entre seus trabalhos, destaca-se “Chico Mendes – Crime e Castigo” (2003), fruto da cobertura do assassinato do seringueiro e ambientalista; pela série sobre o Acre, recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog em 1989 e, em 2008, troféu especial da ONU, além de ser escolhido Jornalista do Ano pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros em 2010.
Defensor do jornalismo como “testemunha crítica” do seu tempo, afirmou no 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em 2018, que a internet reforça a necessidade de apuração, contexto e explicação. Criticou as fake news como tão nocivas quanto a censura da ditadura e ressaltou a importância da autocrítica e da humildade na profissão, orientando colegas mais jovens a nunca se acharem donos da verdade.
