Inadimplência empresarial pressiona mercado de crédito para empresas

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Funcionários operam linha de montagem em unidade industrial. (Foto: Instagram)

A elevação da inadimplência entre companhias, aliada aos juros ainda altos, tem intensificado o foco no risco de crédito no Brasil. Um estudo da gestora Intra Asset, especializada em crédito estruturado, revela que, nos últimos seis anos, cerca de 400 grupos empresariais foram retirados de sua carteira devido ao agravamento de riscos.
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Segundo o levantamento, 70% dessas empresas saíram após apresentar piora na capacidade de pagamento, levando a gestora a encerrar preventivamente operações para evitar eventuais prejuízos. Os 30% restantes conseguiram recompor a saúde financeira, quitar dívidas e voltar a acessar crédito junto a grandes bancos.
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No período analisado, a Intra Asset avaliou cerca de 1.500 grupos empresariais. Desses, aproximadamente 500 chegaram a firmar operações de crédito com a gestora, e hoje pouco mais de 100 permanecem ativos em sua carteira, evidenciando o rigor na seleção e no acompanhamento dos clientes.

Para identificar sinais de alerta, a avaliação considera indicadores como geração de caixa, nível de endividamento, liquidez e garantias oferecidas. Além disso, monitora sinais de deterioração financeira, como queda nas margens operacionais, atrasos em pagamentos a fornecedores e a necessidade frequente de capital de giro para cobrir despesas rotineiras.

Fernando Moreira, diretor de Gestão de Fundos da Intra Asset, ressalta que os demonstrativos financeiros nem sempre expõem vulnerabilidades. “Uma companhia pode apresentar balanços saudáveis e, ao mesmo tempo, ocultar fragilidades que só ficam evidentes em uma análise detalhada da operação”, afirmou.

O perfil das empresas avaliadas inclui faturamento anual acima de R$ 120 milhões, com cerca de 60% da exposição concentrada em grupos que ultrapassam R$ 1 bilhão de receita. Setorialmente, a indústria responde por 45% da carteira, seguida por comércio, varejo, atacado e distribuidores (30%), e pelo agronegócio, com aproximadamente 20%.

Os juros elevados tornam empréstimos e renegociações de dívidas mais caros, pressionando o fluxo de caixa das empresas que dependem de capital de giro ou buscam renovação de financiamentos. A análise de crédito, segundo a gestora, deve distinguir entre uma necessidade pontual de recursos — para investimentos ou provisão de caixa — e uma dificuldade financeira persistente. “Aprovar a operação é só o início; o risco precisa ser monitorado durante toda a vigência da exposição”, concluiu Moreira.