Agricultura conquista 11 milhões de hectares na Mata Atlântica em 41 anos

Posted by


Fazenda às margens de trechos de Mata Atlântica: contraste entre áreas agrícolas e fragmentos de floresta. (Foto: Instagram)

Em 41 anos, a área destinada à agricultura na Mata Atlântica aumentou em 11 milhões de hectares, enquanto 9,7 milhões de hectares de vegetação nativa madura foram perdidos entre 1985 e 2025, segundo levantamento do MapBiomas divulgado nesta segunda-feira, Dia da Árvore.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

O estudo faz parte da Coleção 11, que reúne mapas anuais de cobertura e uso do solo no Brasil de 1985 a 2025, elaborado pela rede colaborativa MapBiomas — formada por universidades, ONGs e empresas de tecnologia. Os dados revelam ainda que cerca de um quarto dos hectares de vegetação nativa atuais são áreas que se regeneraram após terem sido desmatadas.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

No total, desde 1985, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação nativa mapeada como madura, mas ganhou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, que resultaram da regeneração natural ou de projetos de restauração. Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares: 700 mil em áreas de vegetação secundária e 500 mil de vegetação madura, o que indica que 60% do desmatamento recente ocorreu em territórios regenerados. Apesar disso, o recorte histórico mostra queda na taxa de supressão de vegetação nativa, mantendo-se abaixo de 2 milhões de hectares a cada cinco anos desde 2000. Rio de Janeiro e São Paulo são os únicos estados que não registraram perdas de vegetação nativa nesse período.

Para Natália Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, “a regeneração tem papel fundamental na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio da restauração ou da recuperação natural de áreas degradadas”. Ela ressalta, porém, que é imprescindível evitar novas perdas de vegetação nativa, tanto madura quanto secundária, especialmente em um bioma tão fragmentado e pressionado pela ocupação humana.

Com extensão aproximada de 1,3 milhão de km², a Mata Atlântica detém a menor proporção de cobertura nativa entre os biomas brasileiros. Em 2025, apenas 32% do território estava preservado, enquanto 63% era ocupado por atividades agropecuárias. A área agrícola totalizou cerca de 20,5 milhões de hectares, representando 19% da área do bioma.

No histórico de uso do solo, a conversão de pastagens em agricultura explica cerca de 19% das mudanças registradas entre 1985 e 2025, já que as pastagens perderam aproximadamente 11 milhões de hectares nesse intervalo. A soja foi a cultura com maior expansão, adicionando 8,7 milhões de hectares e chegando a 11,11 milhões de hectares em 2025 — 4,6 vezes o tamanho de 1985 —, seguida pela cana-de-açúcar, que avançou 5 milhões de hectares até alcançar 6,15 milhões.

Em 2025, a Mata Atlântica concentrava 25% da soja, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café (833 mil hectares) e 34% do citrus (141 mil hectares) mapear no Brasil. A silvicultura também se expandiu: cresceu 3,8 milhões de hectares, totalizando 4,9 milhões em 2025 e representando metade de toda a área de florestas plantadas do país, com Paraná e Santa Catarina respondendo por 46% dessa área.

Já as regiões urbanizadas mais que dobraram de tamanho, passando de cerca de 1 milhão para 2,3 milhões de hectares entre 1985 e 2025, concentrando 52% de toda a urbanização nacional. Em mais de 80% dos municípios do bioma, as áreas urbanas não superavam mil hectares em 2025. Apenas as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ultrapassaram 30 mil hectares de área urbana.