Pesquisadores desenvolvem açúcar de baixo índice glicêmico

Posted by


Cubos de açúcar de baixo índice glicêmico produzidos a partir de resíduos agroindustriais (Foto: Instagram)

Pesquisadores vinculados à PBIS (Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis) transformaram resíduos agroindustriais em um açúcar de cana com baixo índice glicêmico. Utilizando grãos de café verde defeituosos e a película vermelha do amendoim, a equipe criou cristais de sacarose de absorção mais lenta, sem alterar o sabor tradicional. O produto promete oferecer uma alternativa mais saudável ao açúcar comum, beneficiando tanto quem tem distúrbios metabólicos quanto o público em geral.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

O índice glicêmico (IG) indica a velocidade com que o açúcar de um alimento é assimilado pelo organismo e eleva a glicemia. Alimentos com alto IG podem causar picos de glicose rápidos, sobrecarregando o pâncreas e aumentando o risco de diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. “Está comprovado que dietas de baixo IG trazem mais saúde. Um açúcar assim beneficiaria a todos, especialmente quem já convive com alterações metabólicas”, explica Juliana Macedo, coordenadora do projeto e professora na FEA-Unicamp.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

Com patente depositada no INPI, o açúcar foi desenvolvido em cristais fáceis de aplicar pela indústria alimentícia como substituto do açúcar convencional. Para agregar os extratos fenólicos, os pesquisadores adotaram a técnica de cocristalização em matriz de sacarose, encapsulando compostos antioxidantes dentro da estrutura cristalina. Regiane de Brito Vieira, doutoranda na Unicamp, detalha a inovação: ao dissolver a sacarose no extrato líquido e na água antes da concentração, conseguiram aumentar em 7,5 vezes a incorporação de material, mantendo as propriedades fenólicas.

Para avaliar o impacto no índice glicêmico, foi realizado um ensaio clínico com 25 voluntários, em seis sessões distintas. Os participantes consumiram glicose pura, sacarose cocristalizada pura, cocristalizado apenas com café, apenas com amendoim e um blend com ambos. A glicemia foi monitorada por duas horas após cada consumo. Os resultados preliminares mostraram que o blend reduzia significativamente o índice glicêmico da sacarose, passando-o de médio para baixo.

Embora o valor calórico ainda não tenha sido determinado, os pesquisadores supõem que seja equivalente ao açúcar comum, mas não descartam alguma redução de absorção. O próximo passo será avaliar o teor energético e estudar o efeito na microbiota intestinal. Em parceria com a Universidade de Bolonha (Itália), pretendem investigar como a absorção mais lenta e a presença de antioxidantes influenciam os microrganismos benéficos do intestino, o que pode agregar ainda mais benefícios à saúde.

Instituída em 2021 com apoio da FAPESP, a PBIS reúne Ital, Unicamp, USP e diversas empresas do setor, além da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia. O açúcar de baixo índice glicêmico será oferecido como pacote tecnológico para licenciamento, com preferência para as empresas parceiras. Se não houver interesse dentro dos prazos estabelecidos, a tecnologia poderá ser licenciada por outras indústrias e startups. Segundo a gestora e pesquisadora Gisele Anne Camargo, o projeto já alcançou TRL 5 e 6, estando pronto para aplicação comercial.