
Michelle Bachelet anuncia desistência à candidatura ao cargo de secretária-geral da ONU. (Foto: Instagram)
A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, 74 anos, anunciou no sábado (19.set.2026) que retirou sua candidatura ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela comunicou que não seguiria adiante na disputa pelo principal posto executivo da organização. Bachelet ressaltou que tomou a decisão após avaliar as circunstâncias e reconhecer os desafios políticos que enfrentava.
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No início de sua mensagem, Bachelet declarou: “Hoje, anuncio que decidi não continuar com a minha candidatura a secretária-geral das Nações Unidas”. Embora tenha admitido as dificuldades, afirmou não se arrepender de ter assumido esse “grande desafio” e destacou que contribuiu para colocar na pauta internacional a ideia de que o próximo secretário-geral deve ser “uma mulher da América Latina”.
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A desistência encerra a tentativa de Bachelet de se tornar a primeira mulher a comandar a ONU em seus 80 anos de existência. Sua candidatura havia sido registrada em fevereiro, apresentada pelo então presidente Gabriel Boric, com o apoio formal do Brasil e do México. No vídeo, a ex-chefe de Estado agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à mexicana Claudia Sheinbaum, que, segundo ela, “apoiaram esta candidatura desde o primeiro dia com generosidade e convicção”.
A decisão de Bachelet ocorreu após a divulgação, na sexta-feira (18.set), do resultado da terceira pesquisa informal de intenções de voto do Conselho de Segurança. Nessa rodada, obteve apenas um voto favorável, registrou 11 contrários e três sem posição, diante de seis votos favoráveis em julho e dois em agosto. Além disso, o Chile retirou seu apoio em razão do alinhamento político do atual presidente José Antonio Kast, do Partido Republicano, o que contribuiu para o enfraquecimento da campanha.
Com a saída de Bachelet, a costarriquenha Rebeca Grynspan, atual chefe da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), desponta como favorita. Também seguem na disputa a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett, o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, o ex-presidente senegalês Macky Sall e a diplomata equatoriana Maria Fernanda Espinosa. O escolhido exercerá o mandato a partir de 1º de janeiro de 2027, sucedendo António Guterres, cujo período termina em 31 de dezembro de 2026.
O próximo secretária-geral herda uma ONU em situação financeira crítica. Ao fim de 2025, as contribuições em atraso somavam US$ 1,57 bilhão, e apenas parte dos países quitou integralmente suas cotas. No início do ano, Guterres alertou os Estados-membros sobre o risco de um colapso financeiro iminente. Líderes globais se reúnem em Nova York a partir de terça-feira (22.set) para a sessão da Assembleia Geral, que deverá avançar as discussões sobre a sucessão na chefia da organização.
