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Jornalista Sonia Carneiro morre aos 74 anos


Sonia Carneiro em momento descontraído durante evento em Brasília (Foto: Instagram)

A jornalista Sonia Carneiro faleceu em 20 de setembro de 2026, em Brasília, aos 74 anos. Conhecida no meio jornalístico como Soninha, ela construiu uma trajetória de mais de três décadas cobrindo política com um estilo direto e incisivo, sempre pautada pela busca implacável de respostas e pela coragem de abordar temas polêmicos em entrevistas.

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Em 1992, durante uma coletiva ao então presidente Fernando Collor de Mello, Soninha protagonizou um momento que ficou marcado na memória do público: questionou se o chefe do Executivo tinha contraído o vírus da aids. A indagação ousada se deu em meio a uma série de mortes de artistas e personalidades que enfrentavam a doença, o que ampliou o impacto da pergunta.

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Após muitos anos como repórter, Soninha migrou para a assessoria de imprensa em Brasília, função na qual contribuiu para a comunicação de autoridades e instituições. O senador Jaques Wagner (PT-BA), que chegou a ser um de seus assessorados, publicou uma nota no X relembrando a parceria e a cumplicidade que transcenderam o âmbito profissional. “Falar de Soninha é falar de confiança, teimosia, competência e ousadia. Uma jornalista excepcional, que acreditava, insistia e fazia acontecer”, disse o parlamentar.

O episódio com Fernando Collor aconteceu quando o presidente enfrentava forte desgaste político e corria o risco de sofrer um processo de impeachment, o que se concretizou posteriormente. Na ocasião, ele apresentava aspecto abatido e havia perdido cerca de 10 quilos. A pergunta “Presidente, o senhor está com aids?” surpreendeu assessores e repórteres, e a resposta breve de Collor – “Que é isso, Soninha?” – virou ícone do jornalismo de confronto da década de 1990.

Sonia Maria Dunshee de Abranches Carneiro nasceu em 15 de outubro de 1951. Dedicou 32 anos ao então extinto Jornal do Brasil, cobrindo principalmente o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Tinha laços de parentesco com a condessa Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, uma das herdeiras do periódico. Em sua vida pessoal, deixou dois filhos, Terence e Daniel Zveiter.

Colegas e leitores ressaltam que a marca registrada de Soninha foi a ousadia em perguntar o que muitos evitavam, sempre com profissionalismo e ética. Seu legado permanece como referência para novas gerações de jornalistas que veem na sinceridade e na objetividade elementos fundamentais para o exercício da profissão.

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