
Presidente Volodymyr Zelensky durante pronunciamento sobre o adiamento das eleições na Ucrânia (Foto: Instagram)
A guerra na Ucrânia já ultrapassa quatro anos e não há perspectiva de paz. Durante esse período, deveriam ter sido realizadas eleições parlamentares e presidenciais, mas foram adiadas indefinidamente em razão da proibição constitucional de pleitos durante estado de lei marcial, mantendo Volodymyr Zelensky no cargo.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Em entrevista, a jornalista ucraniana Olga Rudenko, editora-chefe do The Kyiv Independent, afirmou que a maioria dos cidadãos concorda que eleições só devem ocorrer quando houver estabilidade mínima, com um acordo de paz ou, no mínimo, um cessar-fogo duradouro, para não comprometer a segurança nacional.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
A Ucrânia adota um sistema semipresidencialista, no qual o presidente exerce mandato de cinco anos e pode ser reeleito apenas uma vez consecutiva. O Parlamento, a Verkhovna Rada, conta com 450 deputados eleitos, e o voto é facultativo para maiores de 18 anos.
Em agosto, o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov defendeu a realização de eleições ainda neste ano, alegando que o país enfrenta uma “crise sistêmica de governança”. Demitido por Zelensky em julho por suposta falta de alinhamento com as Forças Armadas, Fedorov manteve grande popularidade e chegou a mobilizar protestos contra sua saída.
Segundo Olga Rudenko, a proposta de Fedorov de convocar eleições em meio ao conflito provocou reações diversas e reacendeu o debate sobre o tema. No entanto, o presidente Zelensky declarou em 23 de agosto ser imprudente promover pleitos durante a guerra, pois isso poderia dividir ainda mais o país.
Pesquisa do KIIS (Instituto Internacional de Sociologia de Kiev) realizada entre 20 de julho e 3 de agosto mostra que 57% dos ucranianos só apoiam novas eleições após um acordo final de paz, 23% aceitariam após um cessar-fogo com garantias de segurança, e 15% desejam o pleito imediato, mesmo sem o fim dos combates.
Outro levantamento do KIIS, de 21 de agosto a 10 de setembro, indica que 54% da população confia em Zelensky, contra 41% que não confiam. Em comparação, uma pesquisa de julho de 2026 do canal israelense Keshet 12 apontou apenas 38% de aprovação ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, ante 60% de desaprovação.
Olga destaca que a popularidade de Zelensky se deve ao fato de ele ter permanecido no país no início do conflito e conseguido manter o apoio internacional, mas ressalta que decisões polêmicas domésticas, como a troca no Ministério da Defesa, corroem sua aprovação. Ela defende que, mesmo sem eleições, é fundamental haver fiscalização rigorosa do poder executivo para assegurar a boa governança.








