
Leitor confere edição da newsletter FOIAball em smartphone, com laptop ao lado (Foto: Instagram)
Quando foi demitido do site The Daily Dot em maio de 2025, o jornalista David Covucci decidiu usar solicitações da Lei de Acesso à Informação (FOIA) para fundar a newsletter FOIAball, dedicada ao futebol americano universitário. Um ano antes, ele já havia criado o mascote Sleuthy the Seal —fruto de um mal-entendido fortuito— para atrair assinantes e prometeu tatuá-lo no braço caso chegasse a 500 apoiadores. Hoje, a publicação reúne cerca de 7.500 leitores e 420 pagantes, com planos de assinatura de US$ 70 anuais ou US$ 7 mensais.
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FOIAball adota um tom agitado e confidencial, revelando desde vigilância federal em estádios até playlists trocadas por Dianna Russini para Mike Vrabel, e como universidades recorrem a organizações de caridade para financiar direitos de imagem. Covucci também relatou a falha de Pitbull em entregar um tema musical à Universidade Internacional da Flórida. Ele garante que cada edição traz reportagens originais, combinando jornalismo investigativo e ensaios pessoais num estilo provocador e travesso.
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Antes de criar sua própria newsletter, Covucci escreveu cinco a seis posts diários no site de humor masculino BroBible e aplicou a FOIA para obter, por exemplo, o conteúdo do acervo de pornografia de Osama bin Laden. Segundo ele, a era dos blogs moldou seu estilo, ainda marcado por energia “que eles não querem que você saiba” e abordagens surpreendentes sobre pessoas e instituições poderosas.
Para manter a publicação financeiramente viável, Covucci descobriu que paywalls rígidos têm desempenho inferior a pedidos diretos e transparentes. Em fevereiro, ao explicar abertamente que bloqueios de leitura raramente funcionam, ele convidou leitores a apoiar o projeto mesmo sabendo algo que já conheciam. Enquanto um texto pago rendeu apenas uma nova assinatura, uma matéria exclusiva e gratuita converteu três acessos pagos, provando que o engajamento recorrente e a identificação com a missão valem mais do que furos esporádicos.
Hoje, Covucci administra o FOIAball quase sozinho, usando uma combinação de modelo de vendas e estrutura de organização sem fins lucrativos. Ele planeja dobrar as 420 assinaturas pagas no próximo ano e, com reforço na equipe, pretende expandir a cobertura para basquete universitário e esportes olímpicos. Em breve, integrará a próxima turma do Beehiiv Media Collective, garantindo redução de custos na plataforma e acesso a mentoria e suporte jurídico.
Sobre solicitações de registros públicos, Covucci elogiou a agilidade de estados como Flórida, Texas e Carolina do Sul, além da Universidade Estadual de Michigan. Em contraste, cita pedidos pendentes há mais de um ano na Universidade de Michigan. Para ele, “estados conservadores se orgulham de entregar documentos”, enquanto governos mais liberais relutam em expor dados e reduzir críticas. O jornalista considera esse cenário bizarro e fascinante, pois reforça a importância de cobrir o esporte universitário sob a ótica do acesso à informação.
