
Presidente Lula defende reformas em instituições multilaterais durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York (Foto: Instagram)
Neste domingo (20.set.2026), Brasil, Canadá, União Europeia e Quênia divulgaram um manifesto conjunto em defesa de reformas nas instituições multilaterais. A declaração saiu no Financial Times horas antes da abertura da Assembleia Geral da ONU, marcada para esta semana em Nova York.
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O documento leva a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do presidente do Conselho Europeu, António Costa, do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e do presidente do Quênia, William Ruto. Batizada de P4M, sigla em inglês para “Parceiros para o Multilateralismo”, a iniciativa não propõe a formação de um bloco fechado nem cria uma nova burocracia internacional, mas sim um fórum aberto a nações de várias regiões para debater aprimoramentos em organismos globais.
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Balanço do manifesto classifica o cenário global como um paradoxo: vê a interdependência entre países no seu ponto mais elevado, ao passo que a fragmentação política e a polarização também alcançaram níveis inéditos. Destaca-se que o comércio internacional totalizou US$ 35 trilhões em 2025 e que quase 6 bilhões de pessoas – cerca de 75% da população mundial – já têm acesso à internet. Também registra que, no ano passado, ocorreram 65 conflitos armados interestatais em 35 países, o maior número desde 1946, enquanto os gastos militares globais atingiram US$ 2,9 trilhões.
O manifesto ainda aponta que o direito internacional enfrenta pressão crescente e que o debate sobre “esferas de influência” retornou ao centro das discussões diplomáticas. Aborda também o aumento da desigualdade econômica e o uso de vínculos comerciais e financeiros como instrumentos de coerção. Além disso, chama atenção para gargalos no transporte marítimo global, citando o Estreito de Ormuz como exemplo de risco para as cadeias de suprimento.
Os quatro chefes de Estado e de governo defendem que, diante da instabilidade geopolítica, apenas a colaboração internacional pode dar resposta a desafios que nenhum país consegue enfrentar isoladamente, como as mudanças climáticas, o rápido avanço da inteligência artificial, o risco de novas pandemias, a instabilidade financeira e os conflitos que provocam deslocamentos em massa.
Segundo o texto, o P4M se empenhará em promover ajustes na ONU e em outras instituições multilaterais para torná-las mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. O manifesto conclui com um apelo a outros líderes: “Escolher a cooperação em vez da fragmentação, o direito sobre o poder e a responsabilidade compartilhada em vez da divisão”.








