
Crescimento de Candida parapsilosis em placas de Petri comparando controle e tratamento com formulação antisséptica à base de clorexidina 0,5%, eugenol e mentol. (Foto: Instagram)
Um estudo publicado na revista Pathogens avaliou uma formulação antisséptica composta por clorexidina alcoólica a 0,5% e compostos naturais, como eugenol e mentol. Os resultados indicam que essa combinação consegue inibir e reduzir drasticamente a resistência do fungo Candida parapsilosis, responsável por infecções em ambientes hospitalares.
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A importância da descoberta está na capacidade do C. parapsilosis de formar biofilmes em dispositivos médicos e superfícies inanimadas, além de sua comprovada resistência a medicamentos e desinfetantes convencionais. A nova formulação mostrou potencial para superar essas barreiras e garantir maior segurança nos protocolos de higienização.
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Esse fungo faz parte da microbiota humana sem causar danos na maior parte do tempo. Contudo, quando entra em contato com feridas, incisões cirúrgicas ou dispositivos implantados, como cateteres, pode provocar infecções graves. Em hospitais, a transmissão costuma ocorrer por contaminação cruzada, especialmente pelas mãos dos profissionais de saúde que realizam múltiplas higienizações diárias.
O trabalho contou com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e foi coordenado pela professora Regina Helena Pires, da Unifran (Universidade de Franca). A pesquisa envolveu ainda cientistas da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), do IMT-FM-USP (Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP) e da Universidade do Minho, em Portugal, reforçando o caráter colaborativo internacional.
Segundo Pires, “esses microrganismos são resistentes aos fármacos e a muitos antissépticos, por isso é tão importante desenvolver um produto eficiente na eliminação do fungo”. A pesquisadora destaca que a adição de fitoterápicos não apenas potencializa a ação antimicrobiana, mas também mitiga o ressecamento causado pelo uso contínuo de álcool, pois os óleos essenciais presentes ajudam a hidratar a pele dos profissionais de saúde.
O grupo iniciou os estudos em 2023 e agora realiza avaliações complementares de eficácia e testes de toxicidade in vivo com o invertebrado Caenorhabditis elegans. Em laboratório, experimentos em pedaços de pele de porco simulam o ambiente humano. Em outubro de 2026, uma integrante da equipe seguirá para Portugal para avaliar diferentes superfícies por meio de microscopia de varredura e imunofluorescência, identificando alterações celulares provocadas pelas formulações.








