Site icon Jetss BR

Ultraprocessados e industrializados: entenda as diferenças


Ultraprocessados à espreita: saiba distingui-los (Foto: Instagram)

Quase sempre surge a dúvida: comida processada é igual a comida industrializada? A Classificação Nova, adotada no campo da nutrição, organiza os alimentos em quatro grupos conforme o tipo e a finalidade do processamento industrial. Desde então, o termo ultraprocessado ganhou força e passou a ser visto como algo a ser evitado. Por outro lado, criou-se a ideia equivocada de que toda industrialização seria prejudicial, quando na verdade essa percepção muitas vezes foi incentivada pela própria indústria alimentícia.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

Para a nutricionista Nadine Marques, doutora em Saúde Pública e pesquisadora da Cátedra Josué de Castro da Faculdade de Saúde Pública da USP, há distinção clara entre ultraprocessados e demais produtos industrializados. Segundo ela, há alimentos in natura que não passam por processamento, enquanto outros grupos envolvem processamento mínimo, ingredientes culinários, alimentos processados e, por fim, os ultraprocessados, classificados pelo grau e propósito das intervenções industriais.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

Marques exemplifica: o grão de arroz, ao ser limpo, seco e descascado, sofre apenas um processamento básico. Já no queijo, a adição de fermento lácteo, enzimas coagulantes e sal transforma o leite em um alimento com textura, sabor e prazo de validade diferentes. Esses procedimentos milenares garantem segurança, variedade e acessibilidade, embora ainda permitam identificar facilmente a matéria-prima original.

Em contraste, ultraprocessados envolvem fragmentar alimentos (farinhas, óleos, proteínas isoladas) e inserir aditivos cosméticos — corantes, aromatizantes, espessantes e realçadores de sabor. Esse tratamento extremo descaracteriza a matéria-prima, tornando impossível a reprodução em cozinhas domésticas, ao mesmo tempo em que amplia o lucro da indústria e estende a vida útil dos produtos.

Nos últimos tempos, surgiu o discurso de “ultraprocessados do bem”, porém Nadine Marques reforça que essa noção é enganosa. A Classificação Nova considera não apenas o nível de processamento, mas também seu propósito: criar ingredientes industriais, acelerar a produção e recorrer a aditivos para obter textura, aroma e durabilidade rápidos. Tudo isso caracteriza ultraprocessados, independentemente da análise isolada de nutrientes.

Para além dos nutrientes, é preciso avaliar a presença de aditivos variados e o tempo de estocagem em embalagens plásticas, fatores associados a maior risco de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, alguns cânceres e até transtornos como depressão e ansiedade. Estudos recentes confirmam que o consumo crescente desses produtos impacta negativamente a saúde em múltiplas frentes.

A dica principal de Nadine Marques é: não se deixe enganar pelas chamadas no rótulo frontal. Consulte sempre a lista de ingredientes. Se for longa, iniciar com partes de alimentos (amido, óleo, açúcar) e seguir por compostos de nomes difíceis — emulsificantes, corantes, aromatizantes e afins —, trate o produto como ultraprocessado e evite-o, conforme orienta o Guia Alimentar.

Exit mobile version