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Descoberta Moraxella tarda, nova bactéria ligada ao “mal do olho” em bovinos


Bezerro Hereford com sinais de ceratoconjuntivite infecciosa bovina na Embrapa Pecuária Sul (Foto: Instagram)

Pesquisadores da Embrapa, em colaboração com a Universidade Federal de Juiz de Fora e o Instituto Biológico de São Paulo, identificaram uma nova espécie de bactéria, denominada Moraxella tarda sp. nov. O microrganismo foi isolado da mucosa nasal de bovinos Hereford com sinais iniciais de ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB), conhecida como cerato ou “mal do olho”.
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A distinção da Moraxella tarda como espécie inédita seguiu normas taxonômicas internacionais, incluindo o depósito de amostras em coleções microbiológicas de referência no exterior para confirmação. Isolados representativos foram encaminhados ao BCCM/LMG Bacteria Collection, na Bélgica, e à Culture Collection of Porto, em Portugal, além do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.
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A investigação começou com coletas em bovinos no Pampa gaúcho, na Embrapa Pecuária Sul (RS), e teve sequência em análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas nos laboratórios da Embrapa Gado de Leite (MG) e da Embrapa Gado de Corte (MS). Esse esforço conjunto permitiu diferenciar a Moraxella tarda de outras espécies do gênero, como M. bovis e M. bovoculi.

“Essa conquista reflete uma jornada iniciada em 2018. O depósito nas coleções internacionais formaliza a Moraxella tarda no catálogo global de microrganismos, resultado da cooperação entre instituições”, destacou Marta Martins, pesquisadora responsável pela publicação.

Para Fernando Cardoso, da Embrapa, a descoberta é fundamental para vacinas. “Se um agente patogênico desconhecido não faz parte do imunizante, a proteção falha e os animais adoecem mesmo vacinados. Com a Moraxella tarda, poderemos desenvolver vacinas polivalentes e aprimorar o manejo para controlar efetivamente a CIB.”

A ceratoconjuntivite infecciosa bovina atinge principalmente bezerros de raças taurinas, causando dor, lacrimejamento e úlceras na córnea, que podem levar à perda parcial ou total da visão. Além do desconforto, a doença reduz o apetite e o ganho de peso, elevando custos de manejo e tratamento nas propriedades.

Anteriormente, um surto em novilhas holandesas no Campo Experimental da Embrapa Gado de Leite, em Coronel Pacheco (MG), revelou a primeira ocorrência de Moraxella oculi no Brasil, em conjunto com M. bovoculi, sem detecção de M. bovis. O episódio, com 72% de animais afetados, evidenciou a complexidade microbiana na CIB.

Em continuidade, Emanuelle Gaspar lidera projeto financiado pela Fapemig para mapear bactérias envolvidas em surtos de CIB em bacias leiteiras de Minas Gerais, desenvolver testes de diagnóstico rápido (qPCR) e identificar alvos para vacinas recombinantes de maior eficácia.

A Embrapa também disponibiliza tecnologia de seleção genética para identificar bovinos mais resistentes à CIB. E, sob coordenação de Marta Martins e com apoio do CNPq, novos estudos empregam córneas mantidas em cultura para avaliar respostas celulares e genéticas à infecção, reduzindo o uso de animais vivos em testes invasivos.

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