Site icon Jetss BR

Milton Leite não se apresenta em 24h e polícia vai a Sorocaba para tentar prender ex-vereador


Polícia cumpre mandado de prisão contra ex-vereador Milton Leite em Sorocaba (Foto: Instagram)

A Polícia Civil de São Paulo deslocou equipes até Sorocaba na manhã desta sexta-feira (18) para capturar o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que comandou a Câmara Municipal de São Paulo por seis anos. Leite é alvo de mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada em conjunto com o Ministério Público do Estado de São Paulo.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

A ação faz parte dos desdobramentos da operação iniciada na quinta-feira (17) para investigar suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista. Por volta das 7 horas de quinta, Leite afirmou que não se considerava foragido e se apresentaria às autoridades em até 24 horas. O prazo expirou sem que ele fosse localizado.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, policiais da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes foram até um endereço em Sorocaba, mas não encontraram Leite. No local, as equipes apreenderam cerca de R$ 280 mil em reais e US$ 89 mil em espécie (aproximadamente R$ 458,5 mil). A ação contou com o apoio da Polícia Militar e, dos 16 mandados de prisão temporária expedidos, 10 já foram cumpridos.

Em entrevista ao Estadão na quinta-feira, o ex-vereador negou qualquer vínculo com o PCC. “Nego veementemente todas as acusações, todas as afirmações lançadas que se encontram no ar. Nego relação com o PCC de qualquer natureza. Não tenho relação alguma, não conheço membros, nem sei quem são os membros do PCC”, afirmou.

Procurado novamente nesta sexta, Leite não se manifestou até o momento. Ele cumpriu sete mandatos consecutivos como vereador e presidiu a Câmara de São Paulo por seis anos. Deixou o Legislativo no fim de 2024, após 28 anos de atuação, mas manteve influência política mesmo sem mandato.

A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento da Dercúrio, que em agosto de 2024 investigou esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC. Na ocasião, as investigações revelaram uma rede de comunicação entre integrantes da facção nas “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas” e planos para lançar membros em eleições municipais.

O mandado contra Leite foi autorizado com base em citações nominais de sua responsabilidade direta em operações de empresas controladas pelo PCC. Segundo o desembargador Sergio Ribas, há depoimentos de policiais militares, em processo no Tribunal de Justiça Militar, indicando que ele seria o “dono de fato” da empresa Transwolff.

A Transwolff, empresa de ônibus investigada na Operação Fim da Linha em 2024, foi alvo de suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC e teve contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A companhia nega qualquer ligação com a facção e afirma que Leite nunca integrou seu quadro societário ou deu ordens a funcionários.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou ter “muito respeito pela história” de Leite, mas destacou que caberá a ele provar sua inocência, garantindo o apoio da Prefeitura às investigações.

Exit mobile version