
Reajuste do Bolsa Família privilegia famílias menores, dizem especialistas (Foto: Instagram)
Especialistas do Insper e da FGV têm questionado a forma adotada pelo governo para aplicar o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, programado para outubro. Segundo esses economistas, a medida beneficia em maior proporção famílias menores, ao passo que deveria concentrar recursos adicionais em lares com crianças e adolescentes, grupo mais vulnerável à pobreza no Brasil.
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O aumento anunciado eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, impactando milhões de famílias a partir da folha de pagamento de outubro. Embora a correção represente um avanço no valor nominal do Bolsa Família, o modelo de distribuição aplicado na correção do benefício básico tem gerado debate sobre sua equidade.
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A concentração da pobreza na infância é o principal argumento contra o formato do reajuste. Para o economista Sergio Firpo, do Insper, “a pobreza no Brasil é muito concentrada na infância” e o governo deveria manter o valor base em R$ 600, destinando o restante do aumento aos benefícios variáveis. Entre esses, o Benefício Primeira Infância, pago a famílias com crianças de até sete anos incompletos, passará de R$ 150 para R$ 173. Já o Benefício Variável Familiar, que atende crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes, subirá de R$ 50 para R$ 58.
O pesquisador Daniel Duque, do FGV/Ibre, também ressalta distorções na elevação por integrante. Ele calcula que um beneficiário que recebe apenas o valor básico terá acréscimo de R$ 91 no total, enquanto uma família formada por um adulto e duas crianças alcançará incremento médio de R$ 40,67 por pessoa. Para Duque, a distribuição deveria oferecer ganho proporcionalmente maior aos lares com mais membros em idade infantil.
Em defesa do programa, o governo afirma que o reajuste de 15,04% atende ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado entre março de 2023 e agosto de 2026. Estabelecido pelo Decreto nº 13.120, o novo valor começa a vigorar na folha de outubro, com os primeiros pagamentos agendados para 19 de outubro.








