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Cautela global por juros elevados e risco eleitoral derruba Ibovespa


Ibovespa recua em meio a aperto monetário global e incertezas locais (Foto: Instagram)

A expectativa de juros elevados tanto no Brasil quanto em economias desenvolvidas, como Estados Unidos e Japão, em conjunto com a indefinição fiscal e política local, têm mantido investidores cautelosos. Na manhã de sexta-feira (18), o Ibovespa operou em queda diante desse cenário de aperto monetário global, de agenda esvaziada de indicadores e do vencimento de opções sobre ações na B3, elevando a aversão ao risco.

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Por volta das 11h30, o índice acumulava queda semanal de 1,4%, em contraposição ao ganho de 1,11% na semana anterior. Após abrir estável, atingiu máxima de 185.991,47 pontos e mínima de 184.460,91 (-0,82%), refletindo o avanço dos juros futuros e da cotação do dólar, em linha com as bolsas mundiais. Ontem, o Ibovespa fechou em 185.992,03 pontos, recuando 0,65% na semana.

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Além do aperto monetário global, a proximidade do pleito eleitoral tem influenciado o humor do mercado. De acordo com Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, o mercado reagiu de forma contida à pesquisa Datafolha divulgada ontem, que mostrou empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.

O levantamento apontou 46% das intenções de voto para Lula e 44% para Flávio Bolsonaro nessa hipótese. No exterior, o Banco Central do Japão (BoJ) elevou a taxa básica para 1,25%, o maior nível em três décadas, movimentando expectativas de novos aumentos pelo Federal Reserve e por outros bancos centrais.

Segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, o aperto monetário japonês muda a dinâmica do carry trade, mesmo com a desvalorização do iene, ao elevar o custo do financiamento e redirecionar fluxos de capital para outras praças, incluindo o Brasil. “O impacto se dá tanto via custo de juro quanto pela percepção de maior risco global”, destaca.

Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria, reforça que o aumento dos juros no Japão pressiona os títulos globais e acende sinal de alerta para as taxas dos EUA, já que o país mantém a maior carteira de treasuries do mundo. Essa combinação alimenta incertezas sobre o custo do crédito e tende a frear ativos mais sensíveis à rolagem de dívida.

No segmento de commodities, o petróleo Brent chegou a se aproximar de US$100, mas os papéis do setor na B3 registraram perdas, afetados pela volatilidade do mercado e expectativas de um pronunciamento de Donald Trump no fim de semana. O minério de ferro subiu em Dalian (+0,70%) e em Singapura (+0,88%), sem conseguir impulsionar as ações ligadas à commodity. Por fim, o reajuste de 15% do Bolsa Família, confirmado ontem, gerou novas preocupações fiscais, especialmente porque o pagamento coincidirá com o segundo turno, segundo Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, que ressalta o efeito sobre a demanda e a coincidência de datas como fatores de risco. Às 11h38, o Ibovespa recuava 0,75%, aos 184.592,13 pontos, com ações da Vale caindo 1,25% e da Petrobras variando entre -0,41% (PN) e -0,65% (ON).

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