Justiça barra viagem à Europa de fiscal da Fazenda-SP suspeita de elo com propinas

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Viagem de auditora suspeita é suspensa pela Justiça (Foto: Instagram)

A Justiça de São Paulo impediu a viagem da auditora fiscal Lisandra Cristina Greco Marquezi à Europa após ela não apresentar toda a documentação exigida. Marcada para este sábado (12), sua viagem a Madri integraria um evento acadêmico, mas a falta de papéis fez o juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza suspender o embarque. Lisandra está com bens bloqueados e passaporte retido, sob suspeita de envolvimento num esquema de propinas na Secretaria da Fazenda estadual, a chamada Operação Caldarium.

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Ela afirmava que defenderia uma tese no XI Máster Universitario Oficial en Hacienda Pública y Administración Financiera y Tributaria, com retorno previsto até 11 de outubro. A decisão inicial permitira esticar a estadia até o dia 25, mas considerou esse prazo incompatível com a finalidade acadêmica diante do avanço das investigações. Como Lisandra não apresentou comprovantes solicitados, a Justiça proibiu definitivamente a saída do país.

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Conhecida como “amiga” em diálogos de empresários e advogados investigados, Lisandra é alvo central da Operação Caldarium, deflagrada em 3 de abril pelo Ministério Público estadual. O juiz Bernardes de Souza decretou bloqueio de bens no valor de até R$ 140,65 milhões, confiscou o passaporte da auditora e determinou seu afastamento das funções, além de proibição de frequentar unidades de trabalho. Até então, ela atuava na Delegacia Tributária de Ribeirão Preto.

Na Receita estadual, Lisandra ocupava cargo estratégico como chefe da Assistência Técnica do Crédito Acumulado do ICMS, vinculada à Diretoria-Geral Executiva da Administração Tributária (DEAT). Promotores do Grupo de Atuação Especializada em Delitos Econômicos e Lavagem de Bens (Gedec) ressaltam que outros operadores internos e advogados externos se referiam a ela como “nossa amiga”. No aplicativo Signal, ela usava a alcunha “Chili pepper Chief” e tinha autonomia para decidir pleitos de crédito acumulado.

Para autorizar qualquer deslocamento, a Justiça exigiu da defesa comprovação documental do montante efetivamente bloqueado nas contas de Lisandra, comparação com valores disponíveis, além de origem dos recursos usados na compra ou remarcação da passagem e demais despesas não cobertas pela Fundación Carolina. Ainda era requisitada certidão da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo para atestar o suporte administrativo da viagem.

Em depoimentos que embasam a ação, os promotores apontam Lisandra como “instância decisória relevante” no esquema, conferindo e liberando créditos acumulados favorecidos por advogados como João André Butini de Moraes. Na Operação Caldarium, também foram presos o auditor fiscal André Weiss e o advogado Butini, suspeitos de articular um “fura-fila” na liberação de créditos tributários. Investigadores destacam que o auditor Paulo Sérgio Siqueira do Prado “PP” relatou pagamentos mensais de R$ 250 mil em propina a Weiss, totalizando R$ 4,5 milhões.