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CNI: indústria chega a 21 meses sem confiança na atividade, maior sequência desde 2015


Operário em indústria ajusta máquina de produção (Foto: Instagram)

O estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o setor fabril completa 21 meses consecutivos sem demonstrar confiança na economia e na atividade industrial, o maior intervalo desde 2015. Essa prolongada percepção negativa reflete o aumento das preocupações dos empresários brasileiros com relação às contratações e aos investimentos no curto e médio prazos.

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A pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) indica que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) manteve-se abaixo da linha divisória dos 50 pontos pelo 21º mês, atingindo 44,9 pontos em setembro — o menor patamar desde o início de 2015. Esse desempenho reforça o pessimismo em relação às condições atuais e às perspectivas futuras do setor industrial e da economia nacional.

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Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a retração foi generalizada em todos os componentes do ICEI. “Houve piora tanto na avaliação das condições correntes quanto nas expectativas para os próximos seis meses”, destacou. Ele chamou a atenção para a acentuada queda na percepção do desempenho da economia brasileira, ainda distante do ponto de neutralidade.

No detalhamento, o Índice de Condições Atuais caiu 2,5 pontos, passando de 42,7 para 40,2 em setembro. Esse recuo, conforme Azevedo, evidencia uma deterioração global na avaliação do ambiente de negócios, o que inclui fatores como demanda doméstica e externa, custos de produção e carga tributária. A confiança em relação à conjuntura imediata do setor industrial segue fragilizada.

A avaliação específica sobre a situação da economia brasileira apresentou a maior baixa, com queda de 3,6 pontos (de 36,6 para 33,0). Já a percepção quanto às condições das próprias empresas registrou retração de 1,9 ponto, passando de 45,7 para 43,8. Esses resultados mostram uma visão bastante cautelosa dos empresários diante de um cenário ainda instável.

No componente de Expectativas, o indicador recuou 0,9 ponto, indo de 48,1 para 47,2 pontos. A percepção sobre o futuro da economia brasileira diminuiu de 39,7 para 39,1 pontos. Por sua vez, as perspectivas para as empresas industriais passaram de 52,3 para 51,3, sinalizando leve redução na confiança dos empresários em relação ao desempenho de seus negócios nos próximos meses.

Marcelo Azevedo ressaltou que, apesar de pequenas oscilações positivas em alguns meses de 2026, a confiança continuou baixa e disseminada entre as empresas, sem mudanças significativas no quadro geral. “Esse prolongado período de desconfiança tende a consolidar posturas mais cautelosas dos empresários quanto a contratações, investimentos e níveis de produção”, explicou o gerente da CNI.

Para elaborar essa edição da pesquisa, a CNI consultou 1.186 empresas industriais entre 1º e 8 de setembro de 2026, abrangendo 475 companhias de pequeno porte, 441 médias e 270 grandes. Esses dados reforçam a ampla representatividade do estudo, que monitora periodicamente o humor dos empresários em relação ao ambiente econômico e às condições do setor industrial.

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