
Chassi em montagem na linha de produção da Nissan (Foto: Instagram)
A Nissan apresentou um amplo plano de reestruturação global que inclui a demissão de 20 mil colaboradores e o encerramento de sete fábricas. A meta é cortar 500 bilhões de ienes — cerca de R$ 18 bilhões — em custos operacionais até o fechamento do ano fiscal de 2026. O programa busca ajustar a operação diante da redução de demanda e do aumento de despesas na cadeia produtiva.
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A iniciativa surge após a montadora registrar um prejuízo líquido de 670,9 bilhões de ienes, equivalente a aproximadamente R$ 24 bilhões, no exercício encerrado em março. Do total de 20 mil vagas, 9 mil já haviam sido confirmadas anteriormente, enquanto os 11 mil restantes fazem parte de uma nova etapa. Ao todo, a retração representará cerca de 15% do quadro global de funcionários até março de 2028.
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Além dos cortes de pessoal, a montadora planeja reduzir seu parque industrial de 17 para dez unidades. Embora tenha confirmado que algumas das fábricas afetadas estão localizadas no Japão, a empresa não divulgou a lista completa. Os desligamentos devem atingir tanto funcionários diretos quanto terceirizados em setores como produção, vendas, administração e pesquisa e desenvolvimento.
No Brasil, a unidade da Nissan não está incluída entre as fechadas e continuará operando normalmente. Entretanto, na América Latina, a produção na Argentina será encerrada, com transferência da linha de montagem para Morelos, no México. A montadora manteve o compromisso de preservar uma estrutura comercial para atendimento e vendas no mercado argentino.
A atual crise de resultados está ligada ao desempenho abaixo do esperado em países estratégicos, principalmente China e Estados Unidos, onde as vendas recuaram enquanto os custos de fabricação cresciam. Na Europa, os resultados também se enfraqueceram. Nos EUA, a necessidade de conceder descontos maiores e o impacto de tarifas de importação pressionaram ainda mais as margens da empresa.
As negociações para uma fusão de cerca de US$ 60 bilhões com a Honda — que envolveria também a Mitsubishi — fracassaram, influenciando mudanças na liderança. Ivan Espinosa assumiu como CEO com a missão de conduzir o processo de reestruturação e restaurar a lucratividade. Segundo ele, reduzir a dependência do volume de vendas e aumentar a eficiência operacional são medidas essenciais para que a companhia volte a registrar lucro no ano fiscal de 2026.
