
Juros futuros caem com expectativa de virada eleitoral (Foto: Instagram)
Em meio a novos levantamentos eleitorais que apontam maior probabilidade de vitória da oposição em 2027, os juros futuros recuaram com força na sessão desta terça-feira, 8. A perspectiva de alternância de poder – vista pelo mercado como sinal de possível rigor fiscal – levou os vencimentos longos a caírem mais de 20 pontos-base, chegando a operar abaixo dos 14% pela primeira vez após o feriado de Independência.
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Segundo operadores, o chamado “trade” eleitoral já não é apenas uma aposta de curto prazo, mas reflete uma possível mudança estrutural na economia. Essa visão estimulou aplicações ao longo da curva a termo, isto é, estratégias que lucram com a expectativa de queda dos juros. Com isso, fatores externos como a alta do petróleo e o desempenho dos Treasuries perderam relevância no dia.
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O ânimo dos investidores também se refletiu na forte procura por títulos indexados à inflação. No leilão de terça-feira, o Tesouro Nacional ofereceu integralmente 2,15 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), totalizando R$ 9,7 bilhões, volume recorde no ano.
Na sessão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou para 13,575%, ante 13,571% no ajuste anterior. O DI janeiro/2029 caiu de 13,885% para 13,715%. Já o DI janeiro/2031 recuou de 14,096% para 13,905%, patamar mais baixo desde 29 de maio.
Levantamentos recentes da Quaest e do BTG/Nexus indicam empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno. A Quaest aponta 41% para cada um dos candidatos, enquanto a Nexus mostra 46% para Flávio e 45% para Lula, reforçando o clima de incerteza eleitoral.
As mesmas enquetes mostram ampliação do apoio ao candidato Augusto Cury (Avante), que se estabeleceu em terceiro lugar. Na simulação de segundo turno da Nexus, Cury chega a obter 45% contra 43% de Lula, confirmando sua consolidação como terceiro nome viável.
Para o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, o principal motor dessa reação de risco é a disputa acirrada entre os dois maiores nomes. “O mercado enxerga um cenário estrutural mais promissor para o Brasil, com reformas capazes de reduzir o risco-país”, afirma. Segundo ele, o fluxo estrangeiro e o entusiasmo dos investidores locais reforçam essa tendência.
Nesta terça-feira, o Bank of America elevou a recomendação de ações brasileiras para compra, destacando que a desaceleração econômica e da inflação abre espaço para um ciclo de afrouxamento monetário mais intenso. O banco revisou a projeção da Selic para o fim de 2027, de 12,75% para 11,25%. Já Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, salienta que o Tesouro tem aproveitado o momento de menor prêmio de risco para ampliar as emissões de papéis prefixados e atrelados ao índice de preços.
