Um vídeo publicado pela australiana Ghewan Arja viralizou nas redes sociais ao mostrar seu filho Omar, de 10 anos, comemorando em uma cadeira de rodas dentro de um hospital. A cena, que inicialmente aparenta registrar um momento de alegria, ganhou outro significado após a mãe revelar que havia decidido não contar ao menino que os médicos já não tinham tratamento capaz de salvar sua vida.
Nas imagens, Omar aparece balançando um sino preso à parede da unidade hospitalar, enquanto Ghewan permanece ao lado dele, chorando e aplaudindo. Na legenda, ela explicou que os médicos haviam perguntado se contaria ao filho sobre a situação, mas a família decidiu esconder o diagnóstico terminal.
“Os médicos perguntaram se eu não ia contar para ele. Falamos que não. O que eu deveria dizer para o meu filho? Que o tratamento e as várias cirurgias que ele fez não funcionaram e que agora ele tem de ir para casa e esperar até que descanse em paz? Nessas horas, você diz o que for preciso para proteger o seu filho. Eu menti para ele e foi um dos piores dias da minha vida”, escreveu.
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O vídeo alcançou 44 milhões de visualizações no TikTok até a última atualização da reportagem. A publicação trouxe à tona a decisão da família de preservar Omar da informação sobre sua própria condição enquanto ele enfrentava o tratamento.
O menino havia sido diagnosticado em julho de 2021 com linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer do sangue que começou no sistema linfático e se espalhou pelo corpo. Durante o tratamento, Omar passou por 18 cirurgias e seis meses de quimioterapia.
Depois desse período, a equipe médica informou à família que não havia mais possibilidades de tratamento para salvar a vida da criança. A orientação foi para que Omar voltasse para casa e passasse os últimos momentos ao lado dos familiares.
“Foi quando eles nos disseram para ir para casa e passar tempo de qualidade com o meu filho. Mas como você diz a seu filho que ele está indo para casa para passar seus últimos dias com sua família? Simplesmente não dá”, escreveu Ghewan.
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Omar morreu em janeiro de 2022, depois de seis meses de luta contra a doença. A criança foi o terceiro filho que Ghewan perdeu.
Antes dele, em 2009, a filha mais velha da australiana, Aisha, morreu aos 4 anos em decorrência de Niemann-Pick tipo C, uma doença rara que provoca deterioração neurológica.
Dez anos depois, Mohamed, terceiro filho de Ghewan, apresentou sintomas de AVC e foi levado ao hospital. Durante o atendimento, ele recebeu o diagnóstico de um tumor cerebral e morreu duas semanas depois.
Ao recordar as perdas, Ghewan escreveu sobre a experiência de perder os três filhos. “Foi devastador e meu mundo inteiro desmoronou. Mas eu sabia que Allah tinha um plano e tive que aceitá-lo. Sou uma mãe que passou por alguns dos desafios mais difíceis da vida. Mas, apesar de todas as dificuldades, ainda sou grata por tudo”, escreveu.
A decisão de não revelar o diagnóstico a Omar gerou debates entre os internautas. Enquanto alguns apoiaram a escolha de Ghewan de proteger o filho diante da situação, outros criticaram a postura da mãe e defenderam que ela deveria ter sido sincera com a criança sobre o estado de saúde.

