
Roberto Carlos em apresentação segurando rosas em homenagem ao amigo Okky de Souza (Foto: Instagram)
Na noite de domingo (6), o jornalista e crítico musical Okky de Souza faleceu em São Paulo aos 73 anos, vítima de uma parada cardíaca. Com passagens marcantes pelas revistas Veja e Rolling Stone, ele foi o ghost-writer selecionado por Roberto Carlos para redigir a biografia oficial do cantor, projeto que acabou permanecendo inédito. Sua morte encerra uma trajetória fundamental para o jornalismo cultural brasileiro, que uniu crítica musical e grandes reportagens ao longo de décadas.
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Considerado um dos nomes mais influentes no jornalismo cultural do país, Okky de Souza contribuiu significativamente para a consolidação dessa área no Brasil. Na década de 1970, participou da primeira edição brasileira da Rolling Stone, dando voz ao movimento roqueiro nacional. Posteriormente, engajou-se na redação da Veja, onde permaneceu por anos e se destacou ao produzir matérias aprofundadas sobre música. Em sua carreira, entrevistou grandes astros internacionais, como Mick Jagger e Tina Turner, além de nomes centrais e emergentes da cena musical brasileira.
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Ao longo dos anos 1980 e 1990, Okky de Souza dedicou-se a cobrir a cena independente do rock nacional, apontando para o surgimento de bandas e estilos alternativos como punk e new wave em reportagens que ganharam repercussão. Sua cobertura de shows icônicos e festivais ajudou a valorizar artistas locais e a consolidar a cena musical brasileira, atraindo leitores e músicos para o debate sobre cultura e música.
Em 2000, Roberto Carlos convidou Okky de Souza para escrever sua história, papel que o jornalista aceitou na condição de ghost-writer. Embora o autor tenha reconhecido publicamente que “serei apenas o ghost-writer, o autor será o próprio Roberto”, a biografia nunca chegou a ser lançada. Esse livro inédito passou a integrar as curiosidades sobre a relação do cantor com as obras que narram sua vida, despertando ainda mais interesse entre fãs e estudiosos.
Pelas redes sociais, Roberto Carlos lamentou a partida do amigo e parceiro. “Partiu Okky de Souza. Meu irmãozinho de tantas venturas e de nenhuma desventura. Fica a amizade imorredoura”, escreveu o cantor, lembrando a cumplicidade construída ao longo dos anos de trabalho conjunto e amizade.
O jornalista Sérgio Martins, que chegou a trabalhar com Okky, também prestou homenagem ao colega. Destacou a personalidade reservada e o cuidado nos detalhes que marcaram a atuação do crítico musical. “Okky era tímido até a medula, impecável com detalhes […] e um sujeito de bom coração. E dono de histórias incríveis que nunca teve a chance de colocar no papel. Vai na paz, mestre”, publicou Martins em seu perfil.
Além da carreira no jornalismo, Okky de Souza também se aventurou como letrista. Ele coescreveu a canção “Sol do Meio-Dia” em parceria com Guilherme Arantes. O jornalista deixa a esposa Elenita, com quem se casou em 2008, uma filha e um enteado. O velório ocorreu na segunda-feira (7), no Cemitério da Vila Alpina, em São Paulo, reunindo familiares, amigos e admiradores.
