
Diplomata em frente a edifício oficial acompanha a tensão entre Irã e Coreia do Sul (Foto: Instagram)
O Irã intensificou suas críticas diante da possibilidade de a Coreia do Sul assumir um papel militar no Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte de petróleo no Golfo Pérsico. Segundo autoridades de Teerã, qualquer país que se estabeleça na área ou participe de operações de segurança poderá ser considerado um apoiador direto dos Estados Unidos no conflito atual, elevando ainda mais as tensões regionais. A advertência reforça o receio iraniano de ver potências estrangeiras envolvidas em patrulhas ou ações militares em uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo.
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Em uma publicação na rede social X, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, ressaltou que a cooperação entre Teerã e Seul já dura mais de 64 anos. Ele enfatizou que os laços bilaterais se desenvolveram com base no “respeito mútuo” e qualificou a parceria como “extremamente importante” para ambos os países. Baghaei destacou ainda que qualquer desvio dessa tradição de cordialidade poderia resultar em impactos negativos para a estabilidade política e econômica de ambas as nações.
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Logo após reforçar a relevância histórica dos vínculos, Baghaei fez um alerta contundente: no contexto em que, segundo ele, o povo iraniano está se defendendo de “atos agressivos de invasão” atribuídos aos EUA e respondendo a “crimes de guerra” contra mulheres e crianças, a presença militar de terceiros no Estreito de Ormuz seria interpretada como cumplicidade. “Qualquer outro país” que posicione forças no Golfo Pérsico ou no estreito, ou que participe de operações no local, “inevitavelmente” será considerado como apoiador direto das partes envolvidas, com “consequências graves”, frisou o porta-voz.
A declaração iraniana foi divulgada poucos dias depois de o governo sul-coreano, na última sexta-feira, indicar que estuda contribuir para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Um porta-voz de Seul explicou a repórteres que a eventual participação poderia ocorrer “dentro de limites” que não comprometam a prontidão militar do país diante de suas próprias ameaças. Ainda conforme essa fala oficial, o tema está em fase de avaliação interna, sem definição de cronograma ou formato preciso para essa eventual operação.
A movimentação de Seul ocorre num momento em que o país reduziu exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos, em meio a críticas do presidente americano, Donald Trump, sobre a falta de apoio sul-coreano em Ormuz. Além de diminuir o ritmo das manobras, Trump também estendeu um convite indireto à Coreia do Norte, manifestando desejo de um novo encontro com o líder Kim Jong Un. A sinalização de parceria em diferentes frentes destaca as complexas relações diplomáticas na Ásia e no Oriente Médio.
