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ONU aprova correção de distorções em continentes nos mapas-múndi


Mapa comparativo: projeção Mercator em azul versus Equal Earth em laranja, destacando distorções de escala entre regiões polares e equatoriais. (Foto: Instagram)

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução recomendando a substituição da projeção de Mercator pela projeção Equal Earth nos mapas-múndi. A iniciativa, liderada pelo Togo e respaldada por 164 países, busca corrigir as distorções de escala que faziam continentes como África e América do Sul parecerem menores do que são na realidade.

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A projeção de Mercator, desenvolvida em 1569 por Gerardus Mercator para facilitar a navegação marítima, expande visualmente áreas próximas aos polos e reduz proporcionalmente as regiões próximas à Linha do Equador. Esse efeito reforça uma imagem distorcida do tamanho real de terras como a Groenlândia, quando comparadas a territórios abrangentes no Equador.

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A projeção Equal Earth, também chamada de “Terra Igual”, foi criada em 2018 e visa manter a proporção das áreas terrestres com maior fidelidade. Diferentemente do Mercator, ela reduz as distorções provocadas pela conversão da superfície esférica da Terra em um plano, oferecendo uma visão mais equilibrada dos continentes.

A diferença de escala fica clara na comparação entre África e Groenlândia: enquanto o Mercator faz parecer que ambas têm dimensões semelhantes, o continente africano é, de fato, cerca de 14 vezes maior que a ilha no Ártico. Na mesma linha, a América do Sul ganha mais expressão visual e passa a ocupar uma proporção que reflete melhor seu tamanho real em relação a regiões de latitudes elevadas.

O movimento por essa mudança cartográfica foi liderado pelo Togo em nome da União Africana. Os países envolvidos defendem que a forma como os mapas apresentam a geografia mundial influencia a percepção das pessoas sobre o poder e a relevância de determinadas regiões. Antes da votação, o ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, afirmou à Reuters: “Um mundo justo começa com um mapa justo”.

O texto aprovado ressalta que as distorções das projeções tradicionais podem contribuir para minimizar a percepção sobre a dimensão da África, da América Latina e do Sul da Ásia, afetando visões sociais, econômicas, geopolíticas e ambientais. Ao recomendar a Equal Earth, a ONU busca promover representações cartográficas que estejam mais alinhadas às proporções reais dos territórios.

Apesar de aprovada, a resolução não substitui de imediato o uso do Mercator, mas estimula governos, organizações internacionais e instituições a adotarem mapas com maior precisão quando a comparação de áreas for relevante. A votação revelou uma divisão incomum: 164 países apoiaram a proposta, seis se abstiveram e apenas os Estados Unidos votaram contra.

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