Viviane Barci, esposa de Moraes, nega ter recebido aeronaves de Vorcaro

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Viviane Barci nega recebimento de cotas de jatinho e helicóptero em suposto contrato de R$50 mi (Foto: Instagram)

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, negou ter recebido cotas de um jatinho Legacy 650 ou de um helicóptero EC 155 B1 e afirmou não ter assinado qualquer segundo contrato de R$ 50 milhões com empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal, por sua vez, apura se, de fato, houve acordo para transferência dessas aeronaves como parte do pagamento pelos serviços jurídicos.
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O caso veio à tona após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, derrubar o sigilo de documentos da investigação. Nos autos, a PF relata troca de mensagens e minuta de proposta entre o escritório Barci de Moraes e a Vikings Participações Ltda., controlada por Vorcaro, prevendo R$ 50 milhões por três anos de prestação de serviços.
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Segundo a defesa, o escritório firmou apenas um acordo com o Banco Master, encerrado após a liquidação da instituição, e nega qualquer contratação adicional ou transferência de ativos. Em nota, os advogados afirmaram que a proposta do Master não foi aceita em seus termos, que nenhum documento complementar foi assinado e que não houve substituição contratual envolvendo Vorcaro.

Já o relatório da Polícia Federal sustenta que, em vez de pagar integralmente em dinheiro, parte do valor seria compensada com cotas das aeronaves. O Legacy 650 está avaliado em cerca de US$ 5,5 milhões, enquanto o EC 155 B1 chega a aproximadamente US$ 1,3 milhão. A PF considera que essa modalidade integrava o pacote negociado no segundo acordo.

As investigações destacam mensagens trocadas no celular de Vorcaro em que ele debate estratégias para estruturar a operação e ocultar os beneficiários finais. Em uma conversa, Vorcaro questiona sócios sobre a transferência das aeronaves para a família do ministro. Em outra, ele pergunta a Viviane se o grupo estava usando os aviões, ao que ela teria respondido: “Sim, estamos gostando muito”.

Ainda assim, a existência dessas mensagens não comprova que o negócio tenha sido consumado. A defesa alega que nunca houve concretização do acordo de cotas e que diferentes modelos contratuais foram apenas discutidos para garantir que o escritório Barci de Moraes não figurasse como titular dos bens.

O episódio envolve diretamente Alexandre de Moraes porque, conforme a nota de defesa, ele foi consultado pelo setor de compliance do escritório antes da assinatura do contrato com o Banco Master para verificar eventual impedimento legal. Como o ministro jamais julgou causa relacionada ao banco, a contratação seguiu sem obstáculo.

A Polícia Federal continua investigando as relações entre Vorcaro, o Banco Master e pessoas próximas ao ministro, analisando documentos e diálogos para apurar se houve efetiva transferência de cotas das aeronaves. Até o momento, Viviane Barci mantém sua versão de que não houve recebimento de nenhum ativo, enquanto a PF aponta contraditórias negociações envolvendo valores e bens.