Juros recuam com disputa eleitoral equilibrada e tímida expansão do PIB no 2º trimestre

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Pilhas de moedas ilustram a queda das taxas futuras de juros, impulsionada por cenário político equilibrado e demanda interna fraca. (Foto: Instagram)

Nesta terça-feira (1º), apesar do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e da alta de 5% no petróleo, as taxas futuras de juros registraram queda, refletindo principalmente um cenário político mais equilibrado e sinais de enfraquecimento na demanda doméstica após a divulgação do PIB do segundo trimestre. O movimento de alívio predominou, especialmente na parte longa da curva.

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O viés externo adverso perdeu força diante de novas pesquisas eleitorais que apontam empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, reforçando a percepção de incerteza sobre o resultado e a possibilidade de derrota do incumbente. No curto prazo, o PIB trimestral, ligeiramente acima do esperado, chegou a pressionar os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), mas a constatação de que a demanda interna segue frágil sustentou a visão de espaço para cortes adicionais na taxa Selic.

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No fechamento do mercado, o DI para janeiro de 2027 passou de 13,61% para 13,585%. O contrato com vencimento em janeiro de 2029 cedeu de 14,188% para 14,11%, enquanto o DI para janeiro de 2031 recuou de 14,499% para 14,39%.

A pesquisa Real Time Big Data mostrou Lula e Flávio empatados em 44% das intenções de voto no segundo turno. No levantamento anterior, em julho, o presidente aparecia com 45% e o senador com 42%. Para o primeiro turno, Lula teve 38%, Flávio somou 30% e o candidato do Avante, Augusto Cury, alcançou 11%, indicando crescimento recente.

Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o principal motor da queda nos juros foi o ambiente político. Segundo ele, mesmo com dados fiscais negativos divulgados na segunda-feira, o impacto foi absorvido pelas pesquisas eleitorais, e, apesar de um quadro externo doméstico mais desafiador, a curva de juros continuou cedendo, impulsionada pelo otimismo de que um governo de oposição possa avançar com reformas estruturais.

No âmbito do PIB, o avanço de 0,5% no segundo trimestre superou o consenso de 0,4% e foi visto como moderado diante da fragilidade do consumo interno. A agropecuária e a indústria extrativa foram os principais vetores de crescimento, enquanto ex‐cluindo esses setores o resultado cai para 0,2% ou 0,1%, conforme cálculos do Santander. Flávio Serrano, economista‐chefe do banco Bmg, observa que esses dados reforçam a aposta de que o Copom mantenha a trajetória de cortes na Selic, com 100% de chance de redução de 0,25 ponto em setembro e 60% de probabilidade para novembro.