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Taxas de juros encerram último pregão de agosto estáveis, mas curva se inclina no mês


Cédulas de real ilustram a oscilação dos juros futuros em meio à instabilidade eleitoral (Foto: Instagram)

Os juros futuros abandonaram o comportamento favorável observado até o começo da tarde de segunda-feira (31) e terminaram o último pregão de agosto praticamente nos mesmos níveis do fechamento de sexta. Por volta das 15h, a curva a termo, que vinha apresentando ajustamentos benignos impulsionados por pesquisas eleitorais indicando um cenário mais competitivo, voltou a registrar alta com a informação de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a propaganda na internet do candidato do Partido Missão à Presidência, Renan Santos. No entanto, essa alta perdeu força até o fechamento do pregão.
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Nos ajustes finais, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,616% na sexta passada para 13,615% nesta segunda. Já o DI com vencimento em janeiro de 2029 avançou de 14,153% para 14,175%, e o de janeiro de 2031 permaneceu estável, passando de 14,481% para 14,480% no ajuste do dia.
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No acumulado de agosto, marcado pela desaceleração de indicadores internos de inflação e atividade econômica, pela elevação dos rendimentos de títulos longos nos Estados Unidos e pelo tom mais duro adotado por Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, a curva a termo exibiu inclinação. A ponta curta cedeu cerca de 20 pontos-base, enquanto o miolo subiu em torno de 5 pontos-base e a ponta longa avançou cerca de 10 pontos-base. Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, a perda de fôlego no mercado de trabalho e na atividade reforça as expectativas de um novo corte de 25 pontos-base na Selic em setembro, mas o viés hawkish de Warsh pressiona os juros americanos e limita a extensão do ciclo de afrouxamento no Brasil.

O dia foi marcado por dois momentos distintos no mercado de juros futuros, refletindo a volatilidade do período eleitoral. Até o início da tarde, as taxas ignoraram o aumento do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, fechando em queda moderada, apoiadas por pesquisas que mostravam disputa presidencial mais acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), este último visto pelos investidores como mais comprometido com a responsabilidade fiscal. Entretanto, pouco depois das 15h, o alívio foi interrompido pela notícia envolvendo Renan Santos, gerando incertezas sobre o desfecho político.

Profissionais de renda fixa consultados pela Broadcast, serviço em tempo real do Grupo Estado, apontam que a suspensão da propaganda eleitoral pode não ter sido o único gatilho para a reversão da curva, mas reconheceram que a medida trouxe maior insegurança jurídica. Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, destaca que, enquanto as taxas se beneficiaram pela manhã da estabilidade nas estimativas de inflação do Relatório Focus e das sondagens eleitorais, ingredientes mais negativos passaram a pesar sobre a curva à tarde, invertendo a tendência de queda.

Na segunda-feira, novas pesquisas mantiveram o quadro apertado. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, a vantagem do presidente Lula sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno caiu de seis para 4,5 pontos percentuais. A enquete BTG/Nexus, por sua vez, indicou empate técnico, com 46% para Lula e 45% para o senador, além de crescimento relevante do candidato Augusto Cury (Avante). “A leitura eleitoral foi inicialmente benigna, mas a notícia sobre Renan traz insegurança jurídica e pode beneficiar sua campanha. O cenário segue muito incerto”, avaliou um gestor de renda fixa de grande asset, em caráter reservado.

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