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Por que milhares de pessoas estão apoiando uma mãe que confessou ter estrangulado seus 3 filhos?

Lindsay Clancy assassinou os três filhos e, mesmo assim, continua recebendo apoio de mulheres. Entenda (Foto: Reprodução)

Já imaginou uma mãe tirar a vida dos seus 3 filhos? Parece algo impossível, mas foi o que aconteceu com Lindsay Clancy, de 32 anos. No dia 24 de janeiro de 2023, no estado de Massachusetts (EUA), a mulher estrangulou seus 3 filhos: Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de apenas 8 meses. O crime aconteceu dentro da própria casa da família, na cidade de Duxbury.

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Segundo a acusação, Lindsay usou faixas elásticas de exercício para matar as crianças e, logo depois, tentou tirar a própria vida pulando da janela do segundo andar. A queda a deixou paralisada da cintura para baixo. Mais de três anos depois, o caso finalmente chegou a julgamento e, para surpresa de muitos, transformou-se em um dos processos mais comentados dos Estados Unidos, não pela crueldade do crime, mas pelo debate que ele reabriu sobre saúde mental materna.

O que torna esse julgamento incomum é que ninguém está discutindo se Lindsay matou os filhos. Isso nunca foi contestado. A disputa é sobre o estado mental dela no momento dos assassinatos. A defesa, liderada pelo advogado Kevin Reddington, sustenta que Lindsay vivia um quadro grave de psicose pós-parto associada a transtorno bipolar, e que ouvia vozes que a instruíam a matar os filhos e depois a si mesma. Nos meses anteriores ao crime, ela havia buscado ajuda médica e chegado a ser internada em uma unidade psiquiátrica recebendo alta menos de três semanas antes de matar as crianças.

Já a promotoria argumenta o oposto: que Lindsay sabia exatamente o que fazia, que agiu de forma premeditada e que a real motivação teria sido o cansaço extremo e um quadro de depressão, não uma perda de contato com a realidade. Para a acusação, ela teria inclusive arquitetado o momento em que o marido saiu de casa para buscar comida e remédios, criando a oportunidade para cometer os crimes sem interferência.

O momento que colocou o caso nos holofotes nacionais aconteceu em 20 de agosto, quando cerca de 300 mulheres se reuniram em frente ao tribunal de Plymouth, muitas vestidas de rosa, em manifestação de apoio a Lindsay. O gesto não é, como pode parecer à primeira vista, uma defesa do ato em si. Para essas apoiadoras, o protesto simboliza algo maior: o reconhecimento de que a psicose pós-parto é uma condição real, grave e frequentemente subdiagnosticada.

O júri, formado por nove mulheres e três homens, tem à disposição cinco possíveis desfechos: homicídio doloso de primeiro grau, homicídio de segundo grau, homicídio culposo (manslaughter), absolvição pura e simples, ou inocência por incapacidade mental (insanity defense).

As deliberações do júri começaram em 27 de agosto de 2026 e, até esta segunda-feira (31), ainda não haviam chegado a um veredito. Ao longo dos últimos dias, os jurados pediram para reexaminar provas físicas apresentadas no julgamento, entre elas frascos de remédios controlados encontrados na casa da família e a faca usada por Lindsay durante a tentativa de suicídio.

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Especialistas ouvidos pela imprensa americana têm classificado o caso como incomum pela complexidade: mais de um mês de audiências, dezenas de testemunhas e pareceres opostos de peritos em saúde mental contratados pela acusação e pela defesa. Por isso, a expectativa é de que a deliberação ainda pode se estender por mais alguns dias antes de um resultado final.

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