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Data centers para IA seriam do mal? A paranoia ambientalista encontra um novo alvo


Colagem ilustra a interseção entre data centers, meio ambiente e comunidades locais. (Foto: Instagram)

O debate sobre data centers tem ganhado força entre ambientalistas que acusam essas instalações de prejudicar o meio ambiente. O professor de computação Stephen Weese destaca que, apesar das críticas, há práticas éticas e exemplos de sucesso que mostram os benefícios trazidos a comunidades locais. Ele sugere uma análise mais equilibrada para separar exageros de fatos concretos.

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Do ponto de vista hídrico, os data centers respondem por cerca de 0,02% do consumo de água nos Estados Unidos, e novas tecnologias de refrigeração prometem reduzir ainda mais esse índice. Já no consumo elétrico, apesar da elevada demanda, o impacto sobre o sistema de energia e o bolso dos consumidores costuma ser superestimado. Um estudo da Bloomberg mostrou um pico de 267% no custo de energia atacadista em um caso isolado, valor máximo e não uma média, frequentemente absorvido pelas empresas de tecnologia. Assim, embora algumas regiões sejam inadequadas para novas instalações, o problema maior está em práticas empresariais questionáveis.

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O projeto Colossus, da xAI, próximo a Memphis, Tennessee, ilustra um exemplo alarmante de conduta antiética. A empresa prometeu não usar a água local para refrigeração, mas quebrou esse compromisso e ainda operou 35 turbinas a gás movidas a metano sem licenças, gerando até 421 MW, em violação da Lei do Ar Limpo.

Em Tucson, Arizona, o Project Blue enganou autoridades municipais ao usar água do sistema local para limpeza e refrigeração, prejudicando o abastecimento da população. Além disso, um acordo sigiloso entre a Amazon e a prefeitura proibiu a divulgação de informações por três anos, gerando desconfiança e crise de confiança na comunidade.

Por outro lado, nem só de más práticas vive o setor. O data center West US 3, da Microsoft em Phoenix, foi instalado em uma região árida, porém a empresa agiu eticamente: investiu US$ 40 milhões na companhia de abastecimento de água e estuda sistemas de refrigeração sem uso hídrico, preparando-se para reduzir dependências em futuras obras.

Há também exemplos de sucesso pouco divulgados. Em Quincy, Washington, mais de 30 data centers representam cerca de 57% da arrecadação do imposto predial, viabilizando um centro aquático de US$ 15 milhões e uma escola de ensino médio de US$ 120 milhões. Apesar do aumento de 3,5% na tarifa residencial de eletricidade, os grandes consumidores absorveram um reajuste médio de 9,1%, sem repassar custos ao cidadão. Ainda, a cidade conta com energia hidrelétrica barata e a Microsoft mantém um projeto de reúso de água de US$ 30 milhões, embora o crescimento tenha elevado valores imobiliários locais.

O crescimento da demanda por armazenamento continua impulsionado não só pela inteligência artificial, mas também pelo uso de smartphones, aplicativos e produção de conteúdo digital. Sam Altman, da OpenAI, afirma que os modelos do ChatGPT ficaram mil vezes mais eficientes, mas isso leva a novas aplicações e maior necessidade de data centers. A tendência global, em regiões como China, Europa, Oriente Médio e Sudeste Asiático, mostra que essas estruturas podem ser tão essenciais quanto água e eletricidade. O verdadeiro desafio não é o data center em si, mas as escolhas de localização e as práticas empresariais. Com um planejamento criterioso, é possível aproveitar todos os benefícios.

Stephen Weese é professor de computação, consultor em ciência da computação e inteligência artificial, atua no setor de mídia e é CEO da Marvelous Spiral Studios.

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