
Augusto Cury durante sabatina na TV Globo: foco em auditoria, IA e reforma da máquina pública (Foto: Instagram)
Augusto Cury, do Avante, encerrou no sábado (29) a série de entrevistas da TV Globo com os presidenciáveis, defendendo mudanças profundas na estrutura do governo. Em sua fala, concentrou-se no ajuste das contas públicas e no avanço da inteligência artificial para a administração federal, mas deixou diversas propostas sem detalhamento, o que gerou questionamentos sobre a viabilidade de suas promessas.
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Durante a sabatina conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, Cury enfatizou o desequilíbrio das contas públicas, classificando a dívida brasileira como “estratosférica” e prometendo uma auditoria completa na administração federal. Ele também propôs revisar cerca de 50 mil cargos comissionados e os contratos do governo, medida que, segundo ele, permitiria identificar funções dispensáveis e reduzir custos substanciais.
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Entre as ideias de maior impacto apresentadas pelo candidato está o aumento da tributação das empresas de apostas, atualmente em cerca de 12%, para um patamar de 52%. Cury estima que essa elevação poderia gerar R$ 120 bilhões por ano aos cofres públicos, contribuindo para o alívio do endividamento nacional. Em sua justificativa, comparou a carga tributária prevista para as bets à aplicada sobre alimentos e energia elétrica.
No campo da tecnologia, o presidenciável defendeu a digitalização integral da máquina pública e o emprego de inteligência artificial para executar atividades hoje desempenhadas por servidores, com o objetivo de cortar gastos e aumentar a eficiência dos serviços. Ele sugeriu a criação de uma secretaria executiva, ou até de um Ministério da Inteligência Artificial e Robótica, e alertou para o risco de milhões de desempregados caso o país não prepare sua força de trabalho para as inovações tecnológicas.
Cury também prometeu extinguir entre oito e dez ministérios, sem, contudo, indicar quais pastas seriam eliminadas, alegando que a decisão dependeria de análise criteriosa da estrutura federal. Na área de segurança pública, propôs um ministério específico e revelou que convidaria Ronaldo Caiado (PSD), seu rival na disputa, para comandar a nova pasta. Propôs ainda o uso de aplicativos e drones para localizar agressores e agilizar o atendimento às vítimas de violência doméstica e contra a mulher.
Em relação aos programas sociais, o candidato defendeu ajustes no Bolsa Família que permitam aos beneficiários aumentar gradualmente a renda sem perder imediatamente o auxílio, abrangendo entre 10 milhões e 15 milhões de pessoas. Sobre a saúde pública, apostou na expansão da telemedicina para desafogar as filas do SUS. Questionado sobre seu papel como embaixador de uma empresa de telemedicina, negou conflito de interesses e assegurou que deixaria a função caso eleito.
Embora tenha colocado a tecnologia como eixo central de seu eventual governo, Cury não detalhou o cronograma de implementação das ações propostas nem apresentou cálculos pormenorizados para as economias prometidas, deixando dúvidas sobre a concretização de suas promessas.
