
Escassez crítica de interceptores Patriot na Europa (Foto: Instagram)
As Forças Armadas dos Estados Unidos enfrentam uma escassez “mais do que crítica” de interceptores Patriot na Europa, de acordo com um oficial de defesa americano destacado no continente e um representante da Otan ouvidos pela Associated Press. Esse déficit, em grande parte decorrente do envio de armamentos para o Oriente Médio durante a guerra iniciada pelo governo de Donald Trump contra o Irã, amplia a preocupação sobre a vulnerabilidade dos países da aliança a um eventual ataque russo.
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Os interceptores Patriot são projetados para abater mísseis balísticos russos de alta velocidade, mas, segundo os oficiais que falaram sob anonimato, os estoques conjuntos entre EUA e Otan na Europa estão em níveis muito baixos. Em caso de um ataque russo contra um quartel-general ou uma instalação de energia, a aliança poderia enfrentar uma sequência de “golpe após golpe”, semelhante à atual situação enfrentada pela Ucrânia, que também sofre com a falta desses sistemas.
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Nos últimos seis meses, boa parte dos Patriots sediados na Europa foi transferida para o Oriente Médio, onde Estados Unidos e aliados do Golfo empregaram grande número de interceptores para conter drones e mísseis iranianos. Esse desvio de recursos ocorreu enquanto várias baterias de defesa aérea eram acionadas para proteger tropas que sofreram baixas em ataques anteriores.
Embora não exista, por ora, expectativa de um lançamento balístico russo imediato contra membros da Otan, o diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou recentemente a Moscou para avisar o governo de Vladimir Putin sobre as possíveis consequências de um ataque, conforme noticiado pelo The Wall Street Journal. Questionado pelo presidente Trump, Ratcliffe teria recebido uma resposta evasiva: “Eles não vão atacar”, declarou o mandatário norte-americano.
Dentro da própria Otan, o coronel Martin O’Donnell, porta-voz militar sênior, contestou a avaliação de crise nos estoques de Patriots, afirmando que a aliança dispõe de munição aérea suficiente para se defender e até apoiar a Ucrânia. O Pentágono, por sua vez, negou qualquer falta: Sean Parnell afirmou que os Estados Unidos mantêm “tudo o que é necessário” para atacar onde e quando for decidido pelo presidente.
Autoridades ucranianas, porém, seguem exigindo reforços de mísseis Patriot, considerados essenciais para frear as ofensivas russas. Entre 2022 e 2026, mais de 600 interceptores foram entregues a Kiev, mas, segundo o pesquisador Ed Arnold, do Royal United Services Institute, o grande consumo no conflito com o Irã, que já utilizou cerca de 65% do estoque americano — mais de 1.500 interceptores —, foi o fator decisivo para reduzir drasticamente as reservas europeias.








